Hospital no interior de SP faz implante de íris artificial

Hospital no interior de SP faz implante de íris artificial

Atualizado: Quinta-feira, 3 Novembro de 2011 as 1:43

A doença congênita é rara e caracterizada pela falta da íris nos olhos. A pessoa enxerga como quem tem a pupila dilatada em visita ao oftalmologista.

Agora, aos 21 anos, Patricia está enxergando bem. Segundo o médico Carlos Gabriel Figueiredo, ela é a primeira paciente, no Brasil, a receber um tipo de íris artificial importado da Alemanha. Especialistas ouvidos pela reportagem, no entanto, têm dúvidas se esse é mesmo o primeiro caso.

Figueiredo, professor da Faculdade de Medicina do ABC e responsável pela cirurgia, diz que a grande quantidade de luz que entra nos olhos de quem tem o problema causa muito desconforto.

No caso da jovem, havia outros agravantes. Ela também tinha um alto grau de miopia --5,5 graus no olho direito e oito no esquerdo--, e catarata congênita. Não conseguia assistir a aulas ou atravessar a rua sozinha.

As cirurgias corretivas foram feitas no D'Olhos Hospital Dia, em São José do Rio Preto (438 km de SP).

Além da implantação da íris, foi feita uma operação de catarata, com a colocação de uma lente intraocular, que corrigiu também a miopia. "Eu tinha receio de sair de casa. Agora posso sair mais e sozinha", conta Patricia.

A íris artificial de silicone é desenhada como a natural, diz o oftalmologista. Mas ela não se movimenta para regular a entrada de luz.

Uma íris natural se mexe para abrir e fechar a pupila: se está escuro, a pupila fica maior, para entrar mais luz. Se está claro, é o inverso.

A versão artificial desenha uma pupila média (3 mm), que serve para os dois tipos de iluminação. A paciente ainda pôde escolher a cor: azul.

O implante importado da fábrica Human Optics, na Alemanha, custou 2.900 euros (cerca de R$ 7.000) cada um. Segundo Figueiredo, não há registro de efeitos colaterais com a prótese.

O médico afirma que há outros implantes no mercado, mas de material diferente, com o acrílico.

Alguns requerem uma incisão maior na hora da cirurgia, além de não terem um aspecto tão natural como a alemã.

OUTROS TRATAMENTOS

O oftalmologista José Álvaro Gomes, da Unifesp, diz que a ausência de íris não é o maior problema da aniridia. "É a baixa visão por outros motivos, catarata, glaucoma e alteração do nervo óptico."

Os pacientes vão perdendo as células-tronco que regeneram a superfície da córnea ao longo da vida, o que prejudica a visão.

O tratamento é o transplante de células-tronco. "A íris artificial melhora a visão, mas é mais importante tratar a catarata e o problema das células-tronco."

Moisés Eustaquio/Folhapress

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