Infectologista ensina como lidar com vírus e bactérias presentes em quase todos os ambientes sem adoecer

Infectologista ensina como lidar com vírus e bactérias presentes em quase todos os ambientes sem adoecer

Atualizado: Terça-feira, 26 Outubro de 2010 as 9:11

Nos últimos dias, a superbactéria KPC, que contamina pessoas internadas em hospitais, matou pelo menos 18 pessoas só no Distrito Federal. No mesmo período, foram registrados 30 casos de sarampo na Paraíba. O perigo está por todo o lado, no ataque de vírus, bactérias e outros microorganismos menos conhecidos, mas também não faltam armas para enfrentá-los. E algumas são bem simples. Só o hábito de lavar as mãos evita ou reduz muito a chance de pegar doenças, até infecções pela KPC. É o que mostra o infectologista Stefan Cunha Ujvari , que está lançando o livro "Perigos ocultos nas paisagens brasileiras - como evitar doenças infecciosas" (Senac SP), um guia para conviver com organismos nocivos sem adoecer.

Ele começa falando dos alimentos e da água, que ao mesmo tempo que nutrem e abastecem nosso corpo podem transmitir doenças graves, como a hepatite A e infecções intestinais, especialmente em lugares sem saneamento. Por exemplo, bactérias nocivas vivem em cascas de frutas. Como nem sempre comemos as cascas, na hora de cortá-las levamos com a faca germes para o interior das frutas.

Esse risco é grande também ao usar liquidificadores e centrífugas, especialmente em lanchonetes e restaurantes, que recebem frutas inteiras não descascadas.

- A vacina contra hepatite A é eficaz contra esse tipo de contaminação, mas de aplicação muito recente. Então muitos adultos jovens e acima desta faixa etária estão desprotegidos. Daí a importância de lavar bem todos os alimentos - alerta Stefan, lembrando que é preciso ter cuidado também com caldo de cana e açaí de procedência duvidosa ou mal preparados.

Eles podem conter o parasita que vive nas fezes do inseto barbeiro, transmissor da doença de Chagas.

Comer frutos do mar em praias é um grande risco

Outra doença grave associada à falta de higiene é a toxoplasmose, cujo parasita se desenvolve nos intestinos de gatos e outros felinos, e depois é eliminado nas fezes do animal. E esse cisto pode parar em qualquer lugar.

- O gado come a vegetação contaminada e carrega o cisto. Então todo cuidado é pouco ao manipular carne crua. As mãos, a pia e os recipientes devem ser bem lavados depois dessa tarefa para não contaminar outros alimentos e a própria pessoa - explica.

Fora de casa, mais especificamente em trilhas e matas, Stefan lembra que se deve ficar de olho nos carrapatos. Eles transmitem doenças como a febre maculosa, que pode matar. Para evitar problemas graves, é preciso saber retirar o carrapato:

- O carrapato demora até quatro horas para passar uma doença. Então dá tempo de tirar se a pessoa localizá-lo logo. O certo é usar a pinça, sem espremê-lo na pele. Isso evita a liberação de mais bactérias no local. Em trilhas, é melhor vestir roupas brancas ou claras. Assim fica mais fácil achar o carrapato e outros parasitas.

Em praias, em ocorrência de maré vermelha, não se arrisque comendo frutos do mar, incluindo mariscos, mexilhões e ostras. Eles podem estar contaminados por toxinas altamente resistentes de cianobactérias. Um detalhe: os frutos do mar intoxicados não apresentam alteração de sabor, cheiro e aspecto.

Quanto à bactéria KPC, o infectologista diz que ela não ameaça a população em geral porque prefere pessoas debilitadas e internadas em hospitais. Mesmo assim ele considera o atual surto grave e diz que um dos motivos é o abuso de antibióticos, que torna o germe mais resistente. Outro é o maior número de procedimentos médicos e de grande complexidade, que facilitam o ataque da KPC.

- Lavar as mãos e usar luvas e avental em ambiente hospitalar reduz muito a chance de ataque por KPC e outras bactérias - diz o autor, que em seu livro conta também a história das epidemias.

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