Japoneses reproduzem retina com células-tronco de ratos

Japoneses reproduzem retina com células-tronco de ratos

Atualizado: Quinta-feira, 7 Abril de 2011 as 11:08

Cientistas japoneses conseguiram fazer com que células-tronco embrionárias de ratos se transformassem, em laboratório, na complexa estrutura a partir da qual se desenvolve a retina.

Mototsugu Eiraku e Yoshiki Sasai, do centro de biologia Riken, de Kobe, descrevem em seu estudo, publicado na revista "Nature", como as células-tronco podem se diferenciar sem a influência química e física de outros tecidos em uma cúpula óptica capaz de formar a estrutura característica da retina.

Para isso, os cientistas utilizaram um inovador sistema de cultivo de tecidos tridimensional.

"O que conseguimos fazer é resolver um problema quase centenário da embriologia, mostrando que os precursores da retina possuem a habilidade inerente de dar origem à estrutura complexa da cúpula óptica", explicou Sasai em um comunicado.   Vale destacar que as células fizeram todo o trabalho sozinhas, sem serem estimuladas, forçadas ou pressionadas para adquirir uma forma específica, segundo os pesquisadores.

A princípio, as células-tronco organizaram-se em uma massa sem padrão de funcionamento, "evoluindo" depois para uma forma com duas paredes correspondente às camadas interna e externa da retina durante o desenvolvimento do embrião.

Segundo a "Nature", a pesquisa pode ajudar no desenvolvimento de transplantes derivados das células-tronco para reparo da retina. E é especialmente relevante para pacientes de um grupo de doenças oculares genéticas, conhecidas como retinitis pigmentosa, que pode levar à cegueira, segundo Sasai.

A doença danifica a retina, camada de tecido no fundo do olho que converte imagens de luz em sinais nervosos e os envia ao cérebro.

Pacientes com retinitis pigmentosa sofrem uma perda gradual da visão, porque as células fotorreceptoras - compostas de bastões e cones - definham e morrem.

Em um comentário, também publicado na "Nature", Robin Ali e Jane Snowden, do University College London, afirmam que o proto-olho autogerado apresenta marcadores moleculares característicos tanto da retina neural, que nos animais é conectada ao cérebro, quanto de uma camada chamada epitélio pigmentado retinal, que ajuda a manter os olhos limpos.

"Uma prova ainda mais impressionante de que estas retinas são genuínas é que, durante a cultura, as cúpulas ópticas sintéticas passam por uma diferenciação celular (...), transformando-se nos principais tipos de célula retinal, incluindo os fotorreceptores", destacam.    

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