Lei antifumo também beneficia os fumantes, diz pesquisa

Lei antifumo também beneficia os fumantes, diz pesquisa

Atualizado: Terça-feira, 15 Dezembro de 2009 as 12

O Instituto do Coração (Incor) do Hospital das Clínicas de São Paulo divulgou uma pesquisa inédita que aponta que a lei antifumo, em vigor há quatro meses no Estado, beneficia até a saúde de pessoas que fumam, Isso acontece porque elas não estão mais expostas à fumaça do cigarro em ambientes fechados de uso coletivo, diz o estudo.

Para chegar a essa conclusão, os pesquisadores realizaram medições de monóxido de carbono em 710 estabelecimentos da capital paulista, entre bares, restaurantes e casas noturnas, em dois momentos distintos: antes de a lei entrar em vigor e ao final de três meses após a proibição. O objetivo era avaliar as concentrações do poluente nos ambientes, em garçons fumantes e em não-fumantes.

Os resultados mostram que o ar expelido por garçons fumantes, que apresentou nível médio de monóxido de carbono de 14 ppm (partes por milhão) antes da vigência da lei, passou para 9 ppm doze semanas depois, uma redução de 35,7%.

Já para os garçons que não fumam, o impacto positivo foi ainda maior: ao nível médio de monóxido de carbono passou de 7 ppm (equivalente ao de fumantes leves) para 3 ppm (nível de não fumante).

A medição realizada para verificar a poluição do ambiente mostrou que o nível médio de monóxido de carbono nos estabelecimentos caiu de 5 ppm para apenas 1.

Em ambientes parcialmente fechados e abertos, a medição apontou níveis médios de 4 ppm e 3 ppm, respectivamente, antes de a lei entrar em vigor. Doze semanas depois, os mesmos locais apresentaram registros médios de apenas 1 ppm de monóxido de carbono no ambiente.

"Isso significa sair de um período de horas parado em um túnel congestionado de carros e ir diretamente para um parque arborizado", diz Jaqueline Scholz Issa, cardiologista do Incor e coordenadora da pesquisa. "Os resultados enterram de vez o conceito de fumódromo. Não há ambiente seguro para o ser humano com qualquer concentração de fumaça do cigarro no ar", afirma a médica.

Comissão do Senado adia votação da lei antifumo

Pela segunda semana consecutiva, a Comissão de Constituição e Justiça (CCJ) do Senado retirou da pauta a votação do projeto de lei que proíbe o uso de cigarro ou qualquer outro produto tabagista em recintos fechados, público e privado. Apoiado pela maioria dos senadores presentes na comissão, o líder do governo, Romero Jucá (PMDB-RR), pediu que a matéria fosse votada na próxima semana, uma vez que a relatora, Marina Silva (PV-AC), não se encontrava presente na reunião do dia 9.

Jucá argumentou, ainda, que vai apresentar um voto em separado ao texto proposto. O parlamentar propõe que os estabelecimentos públicos reservem locais para fumantes. Os únicos senadores que insistiram para que o projeto relatado por Marina Silva fosse votado foram Aloízio Mercadante (PT-SP), Eduardo Suplicy (PT-SP) e Valter Pereira (PMDB-MS).

Uma vez votado na CCJ, o projeto ainda será apreciado pela Comissão de Assuntos Sociais (CAS). Caso aprovada, a matéria seguirá direto para a apreciação da Câmara dos Deputados. O projeto de lei prevê que as restrições ao fumo em ambientes fechados entrarão em vigor 180 dias após a publicação no Diário Oficial da União depois de tramitado e aprovado pelo Congresso Nacional e sancionado pelo presidente da República.

A reunião do dia 9 foi acompanhada pelo diretor-geral do Instituto Nacional do Câncer (Inca), Luis Santini. Pesquisa de 2008 feita pelo instituto mostra que pelo menos 2,6 mil fumantes passivos morrem anualmente em decorrência de doenças atribuídas ao fumo como acidente vascular cerebral (AVC), enfarte e câncer de pulmão.

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