Mães recentes têm sono pior e vida profissional comprometida

Mães recentes têm sono pior e vida profissional comprometida

Atualizado: Quinta-feira, 2 Dezembro de 2010 as 9:09

As mães, mesmo as que trabalham, são duas vezes e meia mais propensas do que os pais a acordarem no meio do sono para tomar conta de seus filhos. Essa é apenas uma das conclusões de um estudo feito pela Universidade do Michigan, um dos primeiros a documentar as diferenças entre os padrões de sono de pais e mães com crianças pequenas.

Mães recentes têm sono pior do que os companheirosE as mulheres não são somente as que mais deixam de lado o sono para cuidar dos outros membros da família, mas as interrupções durante a noite são maiores: em média, 44 minutos, contra 30 minutos dos homens.

"A interrupção do sono é muito maior para as mulheres", explica Sarah Burgard, pesquisadora e uma das responsáveis pela pesquisa. "Essa carga maior de afazeres e interrupções não só afeta a saúde e o bem-estar dessas mulheres, mas também contribui para a desigualdade dos gêneros no ambiente profissional."

O estudo de Burgard e sua equipe, publicado no periódico Social Forces, analisou dados da rotina de aproximadamente 20 mil indivíduos (pais e mães) entre 2003 e 2007, colhidos por outra pesquisa longitudinal (feita durante um longo período de tempo e refazendo as coletas de dados por várias vezes durante o tempo de duração da pesquisa). Essa diferença de padrões de sono é maior logo após o nascimento e nos anos durante o crescimento dos filhos.

Entre os casais com jornadas longas de trabalho e com filhos menores que 1 ano de idade, aproximadamente 32% das mulheres indicaram interrupções no sono todas as noites para tomar conta do bebê, contra apenas 11% dos homens. O número de interrupções diminuía com o avanço da idade do filho, caindo para 10% das mulheres e 2% dos pais no segundo ano, até chegar a 3% das mães e 1% dos pais acordados durante todas as noites para tomar conta dos filhos com 3 anos ou mais.

"O mais surpreendente é ver como isso pode impactar o status profissional dessas mulheres, refletindo em menores ganhos e níveis educacionais menores", diz Burgard que aponta também que a quantidade de sono era maior entre as mulheres entrevistadas, porém isso não compensava o tempo perdido à noite.

"Essa exaustão pode levar à perda de oportunidades profissionais, afinal, estamos falando de mulheres que não vivem apenas dentro do ambiente familiar. Ou seja, a interrupção do sono durante esses primeiros anos de vida dos filhos pode representar uma influência negativa no bem-estar dessas mulheres. Por isso, pais e mães devem saber que é bom estar atento às rotinas noturnas e à divisão de tarefa entre os casais, para que o sono de ambos seja melhor e ninguém seja penalizado pelas necessidades do bebê", finaliza Burgard.

veja também