Malhação online coloca saúde da população em risco

Malhação online coloca saúde da população em risco

Atualizado: Quarta-feira, 9 Fevereiro de 2011 as 8:07

Seguir dicas sobre treinamentos de musculação encontradas em sites é um risco à saúde. A conclusão é do profissional de Educação Física Luigi Guimarães. Impressionado com as orientações disponíveis na internet, ele fez um estudo sobre 15 programas virtuais de exercícios. Todos prometiam resultados rápidos, mas escondiam uma ameaça ao organismo.

O levantamento foi apresentado no fim de 2010, quando Luigi concluiu a graduação na UFMG (Universidade Federal de Minas Gerais). A ideia de pesquisar os treinamentos divulgados pela internet veio durante uma aula. “Acompanhamos exemplos absurdos de orientações em sites e decidi fazer o trabalho”, diz ele.

Foram encontradas instruções para os três tipos de treinos de musculação existentes: para ganho de força, para aumento do tamanho dos músculos e para desenvolvimento da resistência. Entre os erros flagrados estão a “sugestão” para troca constante de pesos nos equipamentos e a ordem para que o internauta siga seu instinto na hora de praticar os exercícios.

Um programa que teria sido elaborado pelo ator Lou Ferrigno, do seriado Incrível Hulk, foi um dos modelos analisados, explica Guimarães.

- Não dá para saber se o autor é profissional ou leigo. Ainda que seja uma pessoa com formação na área, todos os programas são condenáveis pela forma como colocam os exercícios. Para atingir o maior público possível, generalizam muito.

Individualidade tem que ser respeitad a

A falta de orientações específicas para a necessidade de cada pessoa é o maior problema identificado pelos profissionais. Segundo o professor de musculação Wallace Dias, a internet não respeita o princípio de individualidade, e a atividade física se torna um risco à saúde sem o acompanhamento adequado. Ele explica que o professor tem papel fundamental: "aponta os exercícios ideais para o objetivo do aluno, sem que a pessoa desenvolva problemas na postura, nas articulações ou até cardíacos”.

O professor de jiu-jitsu Rodrigo César Alves Miranda, 26 anos, começou a fazer musculação há uma década. Ele procurou uma academia depois de enfrentar problemas respiratórios e de ter pneumonia. “Era muito sedentário. Precisava ter cuidado redobrado para fazer exercícios”.

Quem segue instruções passadas nos sites dificilmente tem a mesma preocupação de Rodrigo. “Todo mundo acha que sabe malhar, mas não é simples. É preciso ter conhecimento na área”, diz Luigi.

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