Mamografia: prevenção vital

Mamografia: prevenção vital

Atualizado: Sexta-feira, 21 Janeiro de 2011 as 3:50

Pergunta: Tenho 50 anos e história de cancro da mama na família (a minha mãe). Sei que a mamografia é usada no rastreio e prevenção do cancro da mama. Porém, estou angustiada, com as diferentes opiniões em relação à mamografia para esse fim. O que devo fazer em relação à repetição desse exame?

Resposta: Primeiro, recomendamos que discuta o assunto com o seu médico. Isso é particularmente importante por causa do seu histórico familiar. Há um componente genético definido para certos tipos de cancro da mama, e principalmente as mulheres que tiveram parentes de primeiro grau com a doença (mãe, irmã) devem ser meticulosas em realizar os exames de rotina.

Actualmente, há um debate científico nos Estados Unidos em relação às directrizes práticas, originalmente formuladas pela Sociedade Americana de Cancro. A discussão foi influenciada pelo anúncio de novas directrizes para exames de mamografia pela Força de Tarefa de Serviços Preventivos dos EUA (FTSPEUA), em Novembro de 2009, logo após a publicação de um artigo no The Journal of the American Medical Association (Revista da Associação Médica Americana), que levantou algumas questões sobre o valor da mamografia para salvar a vida das mulheres. Embora o assunto não seja novidade para muitos médicos e investigadores, as manchetes alimentaram a ansiedade do público.

A FTSPEUA é contra o início da realização da mamografia de rotina na maioria das mulheres a partir dos 40 anos. Recomendam, ainda, que mulheres entre os 50 e os 74 anos deveriam submeter-se à mamografia a cada dois anos, em vez de anualmente. As que são de grupo de alto risco (portadoras de mutações genéticas ligadas ao cancro da mama) devem continuar a sua rotina de exames anuais ou tão frequentes quanto o aconselhado pelo médico. A força de tarefa não fez recomendações para mulheres acima dos 75 anos, devido a informação insuficiente. Além disso, aconselhou os médicos a não ensinar as mulheres a fazer o auto-exame da mama regularmente por causa da falta de evidências de que esse procedimento contribuiu para salvar vidas. A confusão e a discordância tornaram-se ainda maiores quando a American Cancer Society (Associação Americana do Cancro) anunciou que vai manter a sua recomendação original para a realização da mamografia anual em mulheres a partir dos 40 anos. Várias outras opiniões foram levantadas.

missing image fileToda essa discussão destaca a importância da análise transparente e da publicação das evidências sobre o cuidado da saúde, e o que pode parecer uma confusão desanimadora é, na realidade, um processo e não uma crise.

Dois exames para o rastreio do cancro provaram, sem dúvida, ser eficazes para salvar vidas: o Papanicolau, para o cancro cervical, e a colonoscopia, para o cancro do cólon. Há um debate em curso sobre o valor da pesquisa do antígeno prostático específico (PSA), assim como o rastreio do cancro do pulmão. A mamografia é, também, um exame imperfeito e, embora tenha contribuído para diminuir os índices de morte nos últimos vinte anos, o decréscimo foi gradual, muito dispendioso e resultou em alguns tratamentos desnecessários. Isso porque alguns tipos de cancro identificados pela mamografia são de crescimento lento e outros podem até desaparecer sem nenhum tratamento. O problema é que não sabemos que cancros são perigosos e oferecem risco de morte. Certamente, não é aconselhável deixar de tratar um cancro diagnosticado.

As sugestões, a seguir, são baseadas no facto de que acreditamos que a mamografia salva vidas e as mulheres devem continuar a submeter-se ao exame:

As mulheres que sabem que fazem parte do grupo de risco pela sua história familiar, resultado de biopsia ou de uma condição genética conhecida, devem submeter-se à mamografia como recomendado pelos seus médicos.

Grande parte das mulheres poderia mudar a rotina da mamografia, com segurança, para cada dois anos. Isso salva quase tantas vidas como o exame anual, mas pode estar associado a menor ansiedade, dor e despesa com procedimentos desnecessários. Mais uma vez, consulte o seu médico.

Embora o auto-exame sistemático não seja uma recomendação baseada em evidências, é inofensivo. Esteja ciente de qualquer alteração ou caroços nos seios e procure tratamento médico precoce.

A maioria das mulheres, salvo indicação contrária, deveria submeter-se à mamografia a partir dos 50 anos, com intervalos de 18 a 24 meses.

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