Medicação na gravidez esconde certos perigos, afirma pesquisa

Medicação na gravidez esconde certos perigos, afirma pesquisa

Atualizado: Sexta-feira, 15 Janeiro de 2010 as 12

No title Cerca de 60% das gestantes que utilizam medicamentos durante a gravidez não recebem informação sobre possíveis riscos da medicação para a saúde do feto. O dado é resultado de uma pesquisa da Faculdade de Ciências Farmacêuticas de Ribeirão Preto da USP (Universidade de São Paulo).

Embora 86,4% das gestantes utilizem medicamentos com prescrição médica, mais da metade não recebeu nenhuma orientação sobre a medicação utilizada. De acordo com a farmacêutica Andrea Fontoura, autora da pesquisa, essa disparidade acontece porque em muitos casos os medicamentos são apenas entregues pelo farmacêutico com a apresentação da receita.

- Na verdade, a medicação deveria ser dispensada, ou seja, no ato da entrega são fornecidas todas as informações necessárias para o usuário, explica.

Realizado com 699 mulheres com mais de 30 semanas de gestação no interior de São Paulo, o estudo visa ressaltar a necessidade de orientação adequada sobre medicamentos muito utilizados, como os receitados para cólicas, mas que não possuem estudos aprofundados sobre seus efeitos.

- Durante a gestação, os medicamentos ingeridos pela mãe podem atravessar a placenta e provocar efeitos teratogênicos, como defeitos na formação do feto, afirma a pesquisadora.

- Todo medicamento é lançado após exaustivos testes clínicos com seres humanos, mas como eles não podem ser realizados em gestantes, seus efeitos deletérios são conhecidos apenas quando já estão no mercado, completa.

Tipo de medicação

Das gestantes entrevistadas, 98% apontaram que usavam pelo menos um tipo de princípio ativo, com um número médio de sete princípios ativos por gestantes – uma das mulheres revelou que usava 34 medicações diferentes. O trabalho utilizou a classificação da Food and Drug Administration (FDA, na sigla em inglês), órgão regulador de medicamentos nos Estados Unidos, que divide os princípios ativos em cinco grupos.

Os medicamentos mais utilizados pelas gestantes estão nas categorias A e B, com 20,55% e 25,20%, respectivamente.

- Os estudos existentes demonstram que esses grupos de medicamentos não tiveram efeitos teratogênicos sobre os fetos, afirma Andrea.

A farmacêutica alerta para os riscos da utilização dos princípios ativos da categoria C, verificada em 14,07% das mulheres pesquisadas, e que inclui a escopolamina, receitada em casos de dor e cólicas.

- Essa categoria inclui medicamentos que apresentaram efeitos adversos no feto em pesquisas sobre reprodução animal, ressalta.

- Entretanto, em seres humanos, não existem estudos adequados ou os resultados não foram divulgados.

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