Ômega 3 é capaz de regenerar neurônio de ratos, aponta pesquisa da Unifesp

Ômega 3 é capaz de regenerar neurônio de ratos, aponta pesquisa da Unifesp

Atualizado: Terça-feira, 2 Fevereiro de 2010 as 12

Um estudo realizado em ratos no laboratório da Disciplina de Neurologia Experimental da UNIFESP - e que integra uma das linhas de pesquisa do Instituto Nacional de Neurociência Translacional - verificou que o ômega 3 é capaz de regenerar neurônios. A pesquisa aponta para a possibilidade de, no futuro, se criar drogas que possibilitem a regeneração cerebral de pessoas com epilepsia e alguns tipos de demências.  

Para a realização da pesquisa, 20 ratos adultos foram separados em quatro grupos distintos, com livre acesso a água e comida.  Ao primeiro grupo, chamado de controle sadio, foi administrado placebo. Ao segundo, que também era composto por animais sadios, foi incluído em sua dieta ômega 3. Nos grupos 3 e 4, formados por ratos com crises de epilepsia, foi administrado placebo a um e, ao outro, o ômega 3. A quantidade do ácido graxo administrado aos ratos foi compatível com a quantidade de ingestão de peixes recomendada a seres humanos, que é de três vezes por semana.

Após 60 dias ininterruptos de tratamento, a análise do tecido cerebral dos ratos mostrou que o ômega 3 foi capaz não apenas de minimizar a morte de células cerebrais dos animais com epilepsia, como também capaz de regenerá-lo, com a formação de novos neurônios. "Com a descoberta, é possível dizer que o cérebro é capaz de se regenerar, o que é extremamente importante, já que crises prolongadas de epilepsia podem lesionar os neurônios", explica o neurocientista Fúlvio Alexandre Scorza, chefe da disciplina e coordenador da pesquisa.

De acordo com ele, apesar de ter sido estatisticamente não-significante, o mesmo foi verificado nos animais sadios que ingeriram o ácido graxo.

Primeira descoberta foi o fator de proteção

Em 2008, Scorza e sua equipe de pesquisadores já haviam verificado que esse ácido graxo - encontrado em maiores concentrações no salmão, no atum e na sardinha - ajudava a prevenir a morte neuronal em ratos com crises de epilepsia. Isso, graças ao seu potencial de aumentar a produção de proteínas que capturam a entrada do cálcio no neurônio e, conseqüentemente, diminui a morte dessas células. "Observamos, também, que o ômega 3 agiu como antiinflamatório no tecido cerebral dos animais com processo inflamatório crônico por conta das crises epiléticas", explica.

Após os resultados encontrados, estudos sobre o efeito da adição do ômega 3 na dieta de crianças com epilepsia refratária - de difícil controle - estão sendo conduzidos por médicos da UNIFESP e da USP de Ribeirão Preto. Entretanto, segundo o pesquisador, o principal tratamento da doença ainda é medicamentoso e a adição do ácido graxo na alimentação desses pacientes é apenas coadjuvante para tentar minimizar as crises.

Parasita ainda é a maior causa do problema

Caracterizada pela alteração temporária e reversível do funcionamento cerebral, a epilepsia pode ocorrer sem uma causa aparente ou devido a traumas na cabeça ou durante o parto, tumores cerebrais e abuso de álcool e drogas. Sua incidência varia entre 1% e 2%, sendo mais freqüente nos países em desenvolvimento, onde ainda são comuns casos de desnutrição, doenças infecciosas, principalmente por falta de saneamento básico adequado, e assistência médica deficiente.  

No Brasil, a principal causa da epilepsia ainda é a neurocisticercose, doença causada pela ingestão acidental dos ovos da Taenia solium - popularmente conhecida como solitária - presentes em verduras mal lavadas, água contaminada ou carne de porco crua ou mal cozida.

Tratamento

O Programa de Intervenção Interdisciplinar em Obesidade para adolescentes do Grupo de Estudos da Obesidade (GEO) do Centro de Estudos em Psicobiologia e Exercício (CEPE) terá continuidade. O próximo grupo iniciará os trabalhos em janeiro de 2010 e as inscrições, para jovens entre 15 e 19 anos, estarão abertas de 9 de novembro a 18 de novembro de 2009 e de 13 de janeiro a 12 de fevereiro de 2010.

Os interessados deverão agendar entrevista por telefone: (11) 55720177, com June, Aline, Raquel ou Fabíola. Rua Marselhesa, 535 Vila Clementino (Próximo ao metrô Santa Cruz). O tratamento é gratuito, mas a Universidade não se responsabiliza por custos com transporte e alimentação.

Sobre a UNIFESP

Criada em 1933 por um grupo de médicos reunidos em uma sociedade sem fins lucrativos, a Escola Paulista de Medicina (EPM) foi federalizada em 1956 e, em 1994, transformada em Universidade Federal de São Paulo (Unifesp), primeira universidade especializada em saúde no País, abrigando em seu currículo de graduação os cursos de Medicina, Enfermagem, Fonoaudiologia e Tecnologias Oftálmica e Radiológica.

Em 2005, iniciou-se o projeto de expansão com a criação do campus Baixada Santista. Em 2007, dando seguimento ao processo de ampliação, a Unifesp implantou os campi de Diadema, Guarulhos e São José dos Campos. O ambicioso processo de expansão fez com que a Universidade saltasse de um para cinco campi e de cinco para 26 cursos. Com os novos campi, a Instituição deixou de atuar exclusivamente no campo da saúde, inaugurando cursos nas áreas de humanas (Guarulhos), exatas (São José dos Campos) e Biológicas (Diadema). Atualmente, a Instituição conta com 4.545 alunos matriculados nos cursos de graduação, além de 17.400 nos cursos de pós-graduação e demais programas de especialização, residência, mestrado e doutorado. A Unifesp possui 883 docentes, sendo que 93% possuem título de doutor, um percentual que marca a qualidade de ensino oferecida pela maior universidade federal do País. Em 1940 a universidade, então Escola Paulista de Medicina, inaugurou o Hospital São Paulo, primeiro hospital-escola do País, hoje localizado junto ao Campus São Paulo, instalado no bairro Vila Clementino.

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