Melhore os hábitos alimentares das crianças

Melhore os hábitos alimentares das crianças

Atualizado: Terça-feira, 11 Outubro de 2011 as 1:41

No Brasil, 6,6% das crianças de 0 a 5 anos sofrem de obesidade, enquanto entre os pequenos de 5 a 9 anos, este número sobe para mais de 30%. A situação de sobrepeso também atinge 20% dos jovens de 10 a 19 anos. Os dados são do IBGE (Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística) e mostram um problema que tem se agravado com o tempo, já que o excesso de peso na infância pode desencadear doenças cardiovasculares, obesidade, câncer e diabetes na fase adulta. Por isso, cabe aos pais ficarem atentos a alimentação dos filhos. Para ajudar nesta tarefa, nós vamos dar 10 dicas de como melhorar os hábitos alimentares das crianças, sem ter que obrigá-los ou colocá-los de castigo, caso se recusem a comer alimentos saudáveis.

Como deve ser a alimentação da criança?

Devo cortar doces, bolachas e balas da alimentação do meu filho? Essa é uma pergunta frequente das mães. O ideal é que o consumo seja controlado. Uma boa sugestão é que eles sejam liberados com limite aos finais de semana. "Quando este tipo de alimento for consumido, deve ser colocado em um prato ou um pote plástico para estabelecer a quantidade que será ingerida, porque se a criança comer diretamente no pacote, o consumo é bem maior", diz o nutrólogo Mauro Fisberg. Mas se a crianças já está acostumada a consumir doces diariamente, vale estabelecer o consumo de apenas uma porção.

A alimentação infantil deve ser variada, equilibrada e balanceada como a dos adultos. O ideal é que elas façam, no mínimo, cinco refeições por dia (café da manhã, almoço, jantar e dois lanches nos intervalos). Não é indicado que a criança tenha o hábito de se alimentar com fast food com frequencia. Por outro lado, o importante é não haver exageros, ou seja, um hamburger não faz mal desde que não se torne rotina.

Como introduzir alimentos saudáveis no cardápio da criança?

A dica é apostar em preparações mais atrativas. O nutrólogo Mauro Fisberg sugere, inclusive, que os pais façam "carinhas" com a comida, ofereçam pratos coloridos e até que ofereçam o alimento rejeitado pelo menos dez vezes, mas em refeições distintas e com apresentações diferentes (cozido, frito, assado, purê).

O ideal é que os pais trabalhem com a educação alimentar. "Eles podem até brincar com o alimento, mas não com a alimentação", ressalta Mauro, que completa que a criança precisa se concentrar na atividade da refeição, sentir o sabor dos alimentos e entender a sensação de fome e de saciedade. Os pais até podem brincar com a comida e fazer das refeições um momento mais divertido, só que precisam deixar claro que no prato estão presentes a cenoura, a alface e o palmito, por exemplo.

Mas tem muitas crianças que se recusam a ingerir alimentos que são essenciais no dia a dia, como as verduras e legumes. Para os pequenos que são extremamente resistentes, a nutricionista Eliane Romantini sugere uma alternativa aos pais. "Nesses casos de rejeição extrema, o ideal é introduzir, de maneira disfarçada, os legumes e verduras nas preparações das refeições. Por exemplo, colocar cenoura picada na carne, sopa ou arroz, couve-flor e escarola na farofa".

Uma outra forma de fazer a criança entender o quanto os alimentos saudáveis são necessários é envolvê-las na preparação da refeição. Passar tarefas simples como lavar os alimentos ou arrumar a mesa ajuda a criança a habituar-se à comida. Na medida do possível, deve ser explicada a função de cada item e porque a refeição deve ser bem variada.

Confira 10 dicas de como melhorar a alimentação das crianças

- Jamais obrigue seu filho a comer o que não faz parte dos hábitos alimentares da família, ou seja, se você não come beterraba, a criança certamente não comerá. Mude seus hábitos, mas sempre para a melhor! O nutricionista Douglas Carignani Jr. completa: “O exemplo vem dos pais. Não adianta querer que os filhos comam alimentos saudáveis se os pais não gostam e também não comem”;

- Legumes e verduras são importantes. Estimule seu filho a experimentá-los. Provavelmente a primeira reação vai ser a rejeição do sabor, mas não desista e nem force a criança. Planeje soluções diferentes. Prepare tortas nutritivas, misture os legumes ao arroz, faça cremes e etc. Use a criatividade. Pode apostar que dá certo;

- Não se iluda! As crianças jamais abolirão o fast food do cardápio. Por isso, não negue a presença deles em nosso meio.  “Isso pode ser combinado com os filhos, para que eles possam comer um pouco de fast food no final da semana, por exemplo’, sugere Douglas;

- O ambiente também tem que ajudar. Evite confusões na hora de comer. Desligue a TV e o rádio. Chame todos para a mesa. Estudos já comprovaram a importância desse hábito para evitar a obesidade, por exemplo;

- Uma ótima dica é pedir ajuda a criança na hora de preparar a refeição. O interesse por novos sabores desperta com a curiosidade dos baixinhos;

- Evite alimentos muito açucarados e coloridos artificialmente. O consumo desses alimentos é prejudicial a saúde e desenvolvimento fisico e cognitivo da criança. Estudos relacionam o hábito alimentar ao déficit de atenção e hiperatividade infantil;

- Prefira mandar a merenda do colégio de casa, assim podemos oferecer alimentos mais saudáveis que os disponíveis nas cantinas. Opte por biscoitos integrais, frutas frescas ou secas ou barras de cereais. Sanduiche de pão integral com pasta de soja ou queijo também podem fazer parte do lanche;

- Estimule a criança a comer devagar, saboreando bem os alimentos, colocando pequenas quantidades de alimentos no garfo a cada vez que for comer;

- Durante as refeições a ingestão de bebidas deve ser controlada, pois a criança troca facilmente a refeição por sucos ou refrigerantes;

- Vídeo game? Computador? Televisão? Não deixe que esses hábitos tornem-se preferência na hora do lazer das crianças. Estimule exercícios ao ar livre, incentivando a recreação e o desempenho de tarefas que afastem o sedentarismo.

veja também