Metade das pessoas que tem apneia, podem desenvolver hipertensão

Metade das pessoas que tem apneia, podem desenvolver hipertensão

Atualizado: Sexta-feira, 31 Julho de 2009 as 12

Pesquisa feita pela Escola Paulista de Medicina será apresentada pela primeira vez durante 17º Encontro Anual da Sociedade Brasileira de Hipertensão (SBH)

Quem sofre com apneia do sono tem grandes chances de se tornar um hipertenso. Uma pesquisa da Escola Paulista de Medicina feita com 1.042 pessoas residentes em São Paulo indica que 38% do universo de pessoas pesquisadas têm apneia do sono.

A deficiência foi confirmada por meio da polissonografia, um exame para a avaliação do sono e de suas variáveis fisiológicas. O estudo foi feito pela Escola Paulista de Medicina e será apresentado durante o XVII Encontro Anual da Sociedade Brasileira de Hipertensão (SBH) e o XVIII Scientific Sessions of the Interamerican Society of Hypertension (IASH), que acontece de 5 a 8 de agosto, no Centro de Convenções Expominas, em Belo Horizonte.

De acordo com o professor Robson Santos, presidente do Congresso e coordenador do Laboratório de Hipertensão da UFMG, vários estudos indicam que pelo menos 50% dos portadores de apneia sofrem de hipertensão. Ele explica que são vários os mecanismos que levam os apneicos a desenvolver a doença. "Quem sofre de apneia tem um grande estresse durante todo o período do sono e não consegue oxigenar bem os tecidos do organismo. O corpo entende que está vivendo uma situação de perigo e uma série de sistemas hormonais são acionados", detalha. A interrupção da respiração leva a uma queda da oxigenação, ao aumento do gás carbônico e curto despertar do sono para retomar a respiração. Todos estes fatores em conjunto levam à ativação do sistema simpático que causa hipertensão.

Ele explica que as conseqüências da hipertensão são gravíssimas e podem levar o apneico a um infarto do miocárdio, acidente vascular cerebral (AVC) e insuficiência renal, que pode levar à hemodiálise.  Ele detalha que a apneia em si já causa uma grande queda na qualidade de vida do indivíduo, elevando a fadiga, o cansaço, sonolência diurna, trazendo falta de concentração e, depressão.

De acordo com a Professora Sônia Togeiro, pesquisadora do Instituto do Sono de São Paulo, que participou da pesquisa, dos 38% que apresentaram apneia do sono confirmada, 21.2% sofria de apneia leve e 16.7% apresentavam grau moderado e intenso. Ela explica ainda que inúmeros estudos demonstram que o tratamento da apneia do sono com aparelhos de pressão positiva durante o sono (chamados de CPAP, que vem do inglês "positive airway pressure") são altamente eficazes em melhorar o controle da hipertensão e de todos os sintomas clínicos relevantes, principalmente da sonolência.

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