Metade dos adultos com colesterol alto não trata a doença

Metade dos adultos com colesterol alto não trata a doença

Atualizado: Segunda-feira, 13 Dezembro de 2010 as 8:36

Resultados de uma pesquisa brasileira inédita, feita com mais de 2 mil pessoas em 70 cidades, revelam um cenário preocupante: metade dos adultos com colesterol alto não trata o problema. O estudo, feito pelo Conselho Latino-Americano para Cuidado Cardiovascular (CLACC), iniciativa que busca disseminar informações sobre tratamento e prevenção de doenças cardiovasculares, também aponta que menos da metade dos brasileiros dosa seu colesterol e que os médicos não conhecem bem as diretrizes do tratamento.

Metade dos adultos com colesterol alto não trata a doençaO objetivo do projeto era justamente avaliar a aderência dos pacientes ao tratamento, já que a falta dela é considerada um fator crucial para o aumento da incidência de problemas como infartos e derrames. Só no Brasil, as doenças cardiovasculares matam 300 mil pessoas a cada ano, e a Organização Mundial da Saúde (OMS) estima um aumento de 250% nos casos até 2040. Os voluntários responderam a um questionário fornecendo dados a respeito da dosagem de colesterol, diagnóstico de hipercolesterolemia e quais os tratamentos feitos. Quem não estava em tratamento respondeu ainda sobre os motivos da interrupção.

Os resultados revelaram que, entre os que sabiam estar com o colesterol alto, apenas 50%, aproximadamente, seguiam a terapia recomendada – 23% tinham começado e parado e 27% nunca tinham tratado a doença.

Segundo a pesquisa, um dos fatores que atrapalham o tratamento correto é a desinformação. A maioria dos pacientes não tem noção da gravidade de sua doença, diz o cardiologista Andrei Sposito, presidente do departamento de aterosclerose da Sociedade Brasileira de Cardiologia, e um dos autores da pesquisa. O médico acha que as pessoas recebem as informações adequadas, mas a mensagem da gravidade dos problemas não está chegando de forma correta aos pacientes.

As consultas rápidas também parecem influenciar esse cenário. Uma das conclusões do trabalho aponta que uma maior aderência ao tratamento está relacionada ao tempo das consultas – mais longas e detalhadas –, mais informação sobre o problema e maior confiança no médico responsável pelo atendimento e pelo diagnóstico.

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