Meu filho não quer comer!

Meu filho não quer comer!

Atualizado: Sexta-feira, 10 Julho de 2009 as 12

"Doutor, meu filho não come direito. O que eu faço?" Essa é uma queixa muito comum nos consultórios pediátricos, principalmente nos primeiros anos de vida da criança. Entretanto, na maioria das vezes não há nenhum problema com a criança.

De acordo com a presidente do Departamento Científico de Nutrologia da Sociedade Brasileira de Pediatria (SBP), Roseli Oselka Saccardo Sarni, a mãe não deve forçar a criança a comer. "Estamos na era da obesidade e vale lembrar que desde muito pequenas as crianças têm capacidade de auto-regular a ingestão. Forçar pode levar à oferta excessiva de alimentos e à perda dos mecanismos de controle (saciedade)", explica.

A SBP explica que a falta de apetite pode estar relacionada a uma série de fatores, seja de natureza emocional ou familiar, como maus hábitos alimentares, ansiedade dos pais, ou mesmo associação com doenças de modo geral.

A Sociedade ressalta ainda que, normalmente, há erros de conduta alimentar, por exemplo determinar a quantidade e o tipo de alimento que a criança deve ingerir, não podendo deixar restos no prato (o que corresponde à falta de respeito a sua individualidade). Muitas mães insistem que os filhos comam, com tentativas de distração, agrado ou chantagem, chegando até a ameaçar o uso da força física. Esta última pode gerar distúrbios nutricionais agudos ou anorexia verdadeira, ou seja, come pouco e tem prejuízo do crescimento.

Se o problema está acontecendo porque a criança encontra-se doente, a pediatra Roseli aconselha que seja estimulado o consumo de alimentos habituais, incluindo os preferidos pela criança.

De acordo com a especialista, há fases em que o filho só aceita comer determinado tipo de comida. "A seletividade (aceitação de um único alimento por determinado período de tempo) pode ser fisiológica e não deve (a não ser se acompanhada de outras alterações ou que leve a alterações no crescimento pondero-estatural) despertar a preocupação dos pais", aconselha.

Muitas vezes, o grande problema é a recusa em consumir legumes e verduras. Nesse caso, a Drª Roseli frisa que a principal dica é que os pais também consumam este tipo de alimento. "Outra dica é fazer preparações bonitas e coloridas para estimular o apetite", revela.

Para a pediatra, a mãe jamais deve pensar em oferecer suplemento alimentar para seu filho sem orientação médica. Remédios que aumentam o apetite também não são aconselháveis. "Podem fazer mal. Estimulantes de apetite geralmente contêm anti-histamínico (anti-alérgico) que causa sonolência e reduz os reflexos", avisa.

Dicas da Sociedade Brasileira de Pediatria:

Acostumar a criança a comer nos horários indicados. Não oferecer alimentos entre as refeições ( beliscos ); Não usar liquidificador no preparo dos alimentos. Inicialmente, os alimentos devem ser passados na peneira e muito bem amassados e, logo que possível, esta consistência deve ser modificada até que a criança possa comer os alimentos em conjunto com toda a família; Oferecer sempre frutas após o almoço e o jantar. Evitar doces e iogurte como sobremesa; Sempre oferecer água entre as refeições, evitando o uso de refrigerantes; Evitar temperos e produtos industrializados. Os alimentos preparados em casa, além de mais baratos, são mais nutritivos e saudáveis; Variar as preparações oferecidas. Arrumar um prato colorido e saboroso, pois isto estimula o apetite e o interesse da criança pela comida. O prato deverá conter um alimento de cada grupo. Milho, aipim, arroz, angu, batata, inhame, macarrão; cenoura, chuchu, vagem, abóbora, abobrinha, beterraba, quiabo, berinjela; feijão, lentilha, ervilha, grão-de-bico; brócolis, agrião, acelga, couve, espinafre, bertalha; peixe, frango, boi, fígado, ovo. Postado por: Felipe Pinheiro

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