"Minilipo", "Lipinho", "Lipo Light" podem ser banalização da cirurgia plástica

"Minilipo", "Lipinho", "Lipo Light" podem ser banalização da cirurgia plástica

Atualizado: Terça-feira, 25 Março de 2008 as 12

"Minilipo", "Lipinho" ou "Lipo Light", os nomes seduzem e podem até confundir quem quer melhorar o contorno corporal, mas tem medo de se submeter a uma cirurgia. "Não considero apropriado 'mascarar' o procedimento, lipoaspiração é sempre lipoaspiração, com os seus riscos e benefícios?, afirma o cirurgião plástico Ruben Penteado, diretor do Centro de Medicina Integrada, de São Paulo. A própria Sociedade Brasileira de Cirurgia Plástica já divulgou alertas neste sentido, nos quais manifestava 'preocupação' com o que chama de banalização das lipos de pequeno porte. O tema também foi debatido durante o IX Simpósio Internacional de Cirurgia Plástica, que aconteceu no início de março, em São Paulo.

"As lipoaspirações de pequeno porte são caracterizadas por aspirarem menos gordura corporal. Muitas vezes, o paciente 'compra a idéia da minilipo', pensando que assim, poderá diminuir os riscos da intervenção cirúrgica?, diz o médico. "É lógico que quanto menor for a área lipoaspirada, menores serão os sangramentos e mais rápida será a recuperação. Mas divulgar a lipoaspiração com outros nomes é dar a impressão de que este é um procedimento simples, quando, na verdade, não é",afirma o diretor do Centro de Medicina Integrada.

Lipoaspiração é cirurgia

Um dos procedimentos mais realizados nos últimos tempos é a lipoaspiração. É importante frisar que este procedimento não é recomendável para quem deseja emagrecer, perder peso, mas sim para os que desejam remodelar o corpo, retirar a gordura localizada mudando o contorno corporal. Sendo assim, ela é ideal para pacientes próximos de seu peso ideal. "Para garantir a segurança do procedimento é aconselhável solicitar todas as orientações e certificar-se sobre a escolha de profissionais capacitados para realizar o procedimento e ter ciência de que a lipoaspiração somente poderá ser realizada por cirurgião plástico habilitado, segundo normatização do próprio Conselho Federal de Medicina?, recomenda Ruben Penteado.

A lipoaspiração deve ser feita em um ambiente cirúrgico - um hospital ou uma clínica muito bem equipada - respeitando os procedimentos de assepsia e preparados para qualquer intercorrência. "A anestesia local de uma lipoaspiração de pequeno porte pode ser feita pelo cirurgião plástico, mas o mesmo tem que ter pleno conhecimento das doses máximas do anestésico local, que como qualquer outra substância, pode causar reações adversas quando usadas em doses excessivas?, explica o médico.

O barato pode sair caro

"O que aparentemente pode ser traduzido como uma vantagem para o paciente - o preço reduzido - pode tornar-se uma chateação a longo prazo?, avisa Ruben Penteado. Segundo o cirurgião plástico, é desaconselhável fazer várias lipoaspirações de pequeno porte por ano, ou seja, se submeter a várias 'minilipos' pode sair o mesmo preço de uma lipoaspiração habitual, só que com muitos mais riscos à saúde, pois são vários pós-operatórios.

"As 'minilipos' estão sujeitas às mesas complicações de uma cirurgia de grande porte. Entre os riscos ligados à lipoaspiração em si estão a possibilidade de retirar gordura demais e deixar o local lipoaspirado um pouco afundado ou de a pele não se retrair e restar um excesso de pele ou gordura, principalmente quando não há elasticidade suficiente?, alerta o médico. Isto sem contar as complicações graves - como trombose venosa e embolia gordurosa ? que ocorrem em apenas 0,05% dos casos. 

Postado por: Claudia Moraes

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