Ministro pede mais dinheiro para área da saúde

Ministro pede mais dinheiro para área da saúde

Atualizado: Sexta-feira, 17 Dezembro de 2010 as 9:07

De saída do governo, o ministro da Saúde, José Gomes Temporão, afirmou nesta quinta-feira (16) que os maiores desafios da área continuarão sendo o financiamento e a gestão.

- É sempre possível fazer mais com os recursos que você tem. As novas tecnologias de informação estão aí, os novos modelos de gestão podem ajudar muito isso. De outro lado é evidente o subfinanciamento.

Ele também lamentou o fim da CPMF, o antigo imposto do cheque, que financiava a saúde.

- A perda da CPMF em dezembro de 2007 foi muito ruim para a saúde pública porque impediu que estivéssemos apresentando números muito melhores. Nós íamos ter R$24 bilhões ao longo desses quatro anos, não tivemos.

Desaprovação

Temporão contestou pesquisa Ibope divulgada hoje que mostra que a saúde é uma das poucas áreas que o brasileiro avalia mal no governo Lula. Segundo o levantamento, 54% desaprovam a gestão de Lula na saúde, enquanto apenas 42% aprovam.

- Nós temos que repensar um pouco essas pesquisas. A uma pesquisa que entrevista rapidamente 2.000 pessoas, eu contraponho com a pesquisa do IBGE que entrevistou 340 mil e fez a seguinte pergunta: "O atendimento que você recebeu do sistema de saúde nos últimos 30 dias, você avalia como?". 85% das pessoas avaliaram como bom ou muito bom. Para mim, essa é a pesquisa que vale.

Segundo o mesmo levantamento do Ibope, 51% dos 2.002 entrevistados consideraram que a saúde deve ser a prioridade da presidente eleita Dilma Rousseff.

Questionado se continuaria na pasta no novo governo, Temporão disse apenas que será sempre um "homem da saúde pública".

- Posso colocar no meu currículo que fui ministro do governo Lula e dei minha contribuição à saúde brasileira.

Complementou dizendo que não está preocupado com a indefinição sobre seu sucessor e que deixará uma série de documentos sobre a atual situação do ministérios, bem como sobre as ações e procedimentos em curso.

Balanço

A poucos dias de deixar o governo, Temporão apresentou hoje um balanço de sua gestão à frente da Saúde. Durante mais de uma hora, mostrou números que mostram avanços na estrutura de atendimento, disponibilidade de medicamentos, vacinas, exames e redução de doenças na população.

O ministro destacou, por exemplo, a redução da mortalidade infantil: de 2003 para 2008, o número de óbitos para cada grupo de mil crianças caiu de 23,6 para 19.

Foram mencionados também ações e programas criados ou reforçados pelo governo Lula. O Saúde da Família, por exemplo, em que equipes fazem visitas às casas, atendia 62,3 milhões de pessoas em 2003 e passou a 97,3 milhões em 2010, alcançando 94,6% dos municípios.

O Samu, serviço de atendimento emergencial, já conta 3.800 ambulâncias, que cobrem 160 milhões de pessoas, segundo o ministério. As UPAs (Unidades de Pronto Atendimento), abertas 24h, já somam 469 no país.

O Farmácia Popular saltou de 27 unidades em 2004 para 534 em 2010, além de 12.247 drogarias conveniadas. O investimento para compra de medicamentos oferecidos no SUS passou de R$ 1,9 bilhão para R$ 6,4 bilhões. Ainda neste ano, foram comercializados 353,5 milhões de remédios genéricos; em 2003, foram 73,6 milhões.

No programa Brasil Sorridente, de atendimento odontológico, o atendimento saiu de 35,8 milhões de pessoas em 2003 para 91,3 milhões.

Por: Renan Ramalho

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