Mulher casa com primo de 1º grau e tem filhos e neto perfeitos

Mulher casa com primo de 1º grau e tem filhos e neto perfeitos

Atualizado: Terça-feira, 21 Dezembro de 2010 as 8:33

Seguir as convenções nunca foi preferência da paulista Edinea Aparecida Palma da Rocha, de 51 anos. Além de se casar com o primo de primeiro grau dois anos mais novo, teve três filhos com ele, mesmo sabendo dos riscos que isso implicaria. Filhos de casais do mesmo sangue têm pelo menos três vezes mais chances de ter doenças genéticas do que os rebentos de casais sem parentesco.

Nem mesmo o aborto espontâneo sofrido na primeira gestação a impediu de voltar a engravidar. Junto do marido José Carlos Rocha, de 49 anos, procurou uma clínica de aconselhamento genético onde descobriu ter um sofisticado parentesco com o amado. Eram também primos de quinto grau, porque suas avós eram primas.

A maior proximidade familiar, no entanto, surtiu efeito reverso na matemática genética. O resultado indicado em um teste de genes mostrou ser acima da média. No dia 17 de abril de 1984, o documento do Laboratório de Genética Humana, do Departamento de Biologia da USP (Universidade de São Paulo), apontou o seguinte veredicto:

- O risco é, no presente caso, de 14%. Existe, portanto, um acréscimo de risco de 10% de que uma criança da senhora Edinea e do senhor José Carlos nasça afetada.

Uma saída seria partir para a inseminação artificial, mas antes de qualquer decisão Edinea descobriu que estava grávida.

- Nem acreditei. Depois que casei, demorei três anos para engravidar e bem na hora que achei que não fosse possível sem ajuda médica, deu certo.

Depois de nove meses de uma gravidez tranquila, nasceu o primogênito Gabriel Palma Rocha, hoje com 25 anos. O filho saudável, inclusive, já passou a genética privilegiada ao seu primeiro filho, enchendo Edinea de orgulho.

- Meu filho nasceu saudável e já meu deu um neto cheio de saúde.

Três anos depois, Edinea engravidou novamente, o que gerou nova desconfiança dos médicos. A gravidez igualmente tranquila gerou desta vez uma menina tão saudável quanto o irmão. Era Bruna Palma Rocha, hoje com 22 anos.

Felizes com os dois filhos, o casal que se conheceu na juventude em Camburi (SP), não imaginava que teria mais desafios pela frente. Apesar de primos, Edinea só conheceu José aos 17 anos, quando deixou a capital paulista para morar com a avó no interior, após a morte da mãe.

José morava em um sítio próximo e começou a acompanhar a prima em passeios e idas à escola. Para o namoro, que durou cinco anos, foi um pulo, já que havia outros casais de primos na família – todos atualmente com filhos igualmente saudáveis.

Aos 38 anos, e com filhos em plena juventude, Edinea descobre que tem lúpus, uma doença cuja imunidade ataca o próprio organismo. Portadoras da doença autoimune correm risco de abortos instantâneos e são proibidas de tomar pílulas anticoncepcionais.

A falta de proteção fez Edinea engravidar novamente aos 39 anos. A alegria do casal era vista como pura “roda da fortuna” para os especialistas. Além do risco genético, agora eles tinham que considerar a doença e a idade.

- Era uma gravidez de alto risco, mas correu tudo bem. Tive a Júlia e ela nasceu super saudável.

Sorte? Edinea acha que não. O segredo é confiança.

- Nunca tive medo, sempre confiei que meus filhos nunca teriam nada. Eu sempre trabalhei fora, parei de trabalhar só quando a Bruna nasceu. Nunca pensei que nada daria errado.

Muito ligadas, Bruna, que ainda vive com a mãe, agradece ajudando Edinea a usar a internet.

Isael dos Santos e Silva, 29 anos, faturista da empresa Puma do Brasil. Casado com a Camila da Silva Araújo. São primos de segundo grau. O pai dela e minha mãe são irmãos por parte de pai. Casasdos há três anos. Não tem filhos, pretende ter. cinco meses sem tomar remédio, já em planos de conceber filhos.

“Quero uma menina”

O faturista Isael dos Santos e Silva, de 29 anos, e a auxiliar industrial Camila da Silva Araújo, de 22 anos, são casados há três anos. Primos de segundo grau, eles moram em Colombo (PR) e há cinco meses tentam “ficar grávidos”. Se pudesse escolher, Isael gostaria de ter uma menina. Mas como isso não é permitido, aceitou fazer aconselhamento genético a pedido da mulher.

- A gente não tem medo [de ter filho com doença genética], porque fomos orientados. A gente quer relaxar mesmo e deixar acontecer. O risco não é muito baixo, nem muito grande.

Eles passaram por uma consulta de orientação e devem voltar quando confirmada a gravidez.

Estudos internacionais de genética apontam que quanto maior o parentesco, maior o risco. Filhos de primos de segundo grau consequentemente têm menos risco, assim como os de terceiro e quarto grau, e assim por diante. Primos de primeiro grau têm 10% de chance de ter filhos com doenças genéticas, enquanto os casais sem parentes chegam a 3%.

O casal natural do Nordeste, ele pernambucano, ela piauiense, se conheceu em Britânia (GO), onde “rolou a química”. Somente depois de quatro anos engataram o romance e depois de seis anos se casaram.

E assim como na família de Edinea, existem outros casais de primos que ainda moram em Goiás.

- Sei de primos que se casaram em Goiás e nunca tiveram filhos com problemas.

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