Mulheres com ovários policísticos podem ter fertilidade afetada

Mulheres com ovários policísticos podem ter fertilidade afetada

Atualizado: Quinta-feira, 27 Março de 2008 as 12

Mulheres que apresentam ovários policísticos produzem uma quantidade maior de hormônios masculinos, os andrógenos, fator que pode afetar a fertilidade. O principal problema que este desequilíbrio hormonal provoca está relacionado à ovulação. "A testosterona produzida pela mulher interfere nesse mecanismo e, ao mesmo tempo, aumenta a possibilidade da incidência de cistos, porque eles resultam de um defeito na ação dos hormônios do ovário, impedindo a ovulação", explica o especialista em ginecologia e reprodução humana, Joji Ueno do Portal Minha Vida.

De acordo com Joji, os principais sintomas da síndrome dos ovários policísticos são as alterações menstruais. "A mulher menstrua a cada dois ou três meses e, freqüentemente, tem apenas dois ou três episódios de menstruação por ano", explica. Segundo ele, outro sintoma é o hirsutismo, ou seja, o aumento de pêlos no rosto, nos seios e na região mediana do abdômen. A obesidade também é um sintoma freqüente, que auxilia no agravamento da síndrome. Às vezes a paciente não tem as manifestações sintomáticas, mas quando engorda, elas aparecem.

Geralmente, de acordo com os históricos clínicos, a síndrome se manifesta na puberdade e vai até a menopausa. Alguns casos tornam-se assintomáticos com o tratamento, mas é uma doença crônica. Por isso, é comum a mulher com ovário policístico procurar vários especialistas, ao longo da vida, em busca de tratamento. No entanto, a importância que se dá ao caso, depende da fase da vida que a mulher atravessa. Na puberdade e na adolescência os pêlos causam maior incômodo. Depois, na idade do casamento, são preocupantes as alterações menstruais, que podem ser sinal de infertilidade. Há, também, o momento em que a obesidade representa o maior inconveniente. "A síndrome assume maior ou menor relevância de acordo com a fase de vida da mulher e, conseqüentemente, o tratamento deve respeitar os sintomas que se destacam em determinado período", explica Ueno.

Hoje, com o avanço da tecnologia na medicina diagnóstica, a identificação da doença ficou mais fácil com o emprego do ultra-som. Normalmente, os ovários policísticos são visualizados por meio do exame de ultra-som ou no de toque, realizado no exame ginecológico de rotina. Às vezes, basta examinar a paciente para localizar os dois ovários aumentados. Em estado normal, o ovário tem, em média, 9cm³. O ovário policístico chega a ter 20cm³, ou seja, o dobro do volume.

O tratamento é realizado de acordo com a fase de vida da mulher. O que é mais importante em determinado momento e qual o sintoma que mais a incomoda são perguntas que o médico que a assiste deve fazer. "Como se trata de uma doença crônica, não há cura da síndrome e, sim, tratamento dos sintomas", finaliza o especialista.

Postado por: Claudia Moraes

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