Mulheres sofrem mais de escoliose

Mulheres sofrem mais de escoliose

Atualizado: Segunda-feira, 19 Dezembro de 2011 as 8:50

As pessoas que sofrem de escoliose apresentam uma curvatura da coluna. "A escoliose é uma deformidade da coluna vertebral nas três dimensões, ou seja, nos planos coronal, sagital e axial", disse José Fernández Alen, neurocirurgião do Hospital USP San Camilo de Madri (Espanha).

Segundo explica este especialista em neurocirurgia da coluna, existem três tipos de escoliose em função de sua origem: idiopática, neurogênica e escoliose degenerativa do adulto.

"A escoliose idiopática, ou seja, a de causa desconhecida, é a mais frequente com diferença", comentou. "Ela acontece de maneira mais habitual durante a adolescência e tem uma prevalência de entre 2% e 4% da população, se forem levadas em conta para este dado as curvas maiores de dez graus", afirmou o especialista.

"Este tipo de escoliose é mais comum em meninas que em meninos. De fato, elas são afetadas até seis vezes mais que os homens. Também há escoliose idiopática em idades mais adiantadas, mas são mais raras", sustentou.

A escoliose neurogênica, por sua vez, "tem sua origem em problemas neurológicos como siringomielia, diastematomielia, medula ancorada e tumores intramedulares. Costuma se apresentar e progredir de maneira rápida e se apresenta com uma dor intensa, sobretudo noturna", explicou José Fernández.

"A escoliose degenerativa do adulto acontece como consequência da degeneração assimétrica dos discos, da osteoporose e das fraturas vertebrais produzidas por tal osteoporose", disse.

"A previsão depende da causa, localização e severidade da curvatura. No caso dos mais jovens, quanto maior for esta, maiores serão também as probabilidades que o problema piore uma vez terminado o crescimento", advertira, os especialistas do site MedLinePlus.

Quando se deve suspeitar?

Pode-se suspeitar que uma pessoa sofre de escoliose quando se observa uma musculatura desigual de um lado da coluna vertebral, quando há uma costela ou uma omoplata proeminente devido à rotação da caixa torácica, se os ombros estão em altura diferente, os quadris ou se o comprimento das duas pernas não é igual.

"Nas mulheres, um tamanho assimétrico ou a localização das mamas em alturas diferentes também poderia ser um sinal de escoliose", declarou Jose Fernández. "Nestes casos se deve consultar o médico, que fará as explorações oportunas", recomendou o especialista.

A gravidade da escoliose se mede em graus e estes são calculados mediante uma radiografia. "Um adolescente com esqueleto imaturo e uma curva de mais de dez graus deve ser acompanhado com radiografias a cada seis meses. Mas se a curva tem mais de 20 graus, serão realizadas radiografias a cada quatro meses", disse o médico.

"Se uma curva de 20 graus demonstra uma progressão de mais de cinco graus em um intervalo de entre quatro e seis meses e ao paciente lhe resta pelo menos um ano de crescimento, se deve aplicar um tratamento com órtese externa, ou seja, com colete ortopédico", disse o neurocirurgião.

Também se deve usar o colete nos casos de pacientes com esqueleto imaturo nos quais tenha sido diagnosticada uma escoliose de entre 30 e 40 graus. No entanto, se apesar desta medida apresentarem curvas superiores a 40 graus, a solução é uma correção cirúrgica.

Mediante o espartilho nos casos mais leves ou com cirurgia nos graves, "o tratamento pode conseguir uma correção praticamente completa da doença", disse José Fernández.

"Pode-se fazer uma lista interminável de opções de tratamento alternativo, mas só alguns poucos superaram os testes baseados na evidência científica", advertiu.

O especialista destacou também que "muitos estudos demonstraram a ineficácia de exercícios, manipulação, estímulos elétricos e remédios para corrigir a curvatura ou freá-la".

"Apesar de o exercício ser benéfico para manter um bom tônus muscular e uma boa função pulmonar e cardíaca, não há evidência que tenha efeitos na progressão da curva. No entanto, pode ajudar a reduzir o desconforto", afirmou.

No entanto, alguns traumatologistas recomendam a quem sofre de escoliose que pratique natação.

Segundo comentou Mario Lloret, especialista em medicina da educação física e do esporte, no relatório "Natação e Escoliose", "a natação terapêutica bem programada e planejada é um método contrastado e eficaz, complementar à ação médica frente aos desvios das costas".

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