Multinacional ganha permissão para produzir vacina para alérgicos

Multinacional ganha permissão para produzir vacina para alérgicos

Atualizado: Quarta-feira, 2 Junho de 2010 as 8:44

A filial brasileira da fabricante de produtos médicos Baxter conseguiu licença para produzir uma vacina contra a gripe A (H1N1), popular gripe suína, sem a proteína do ovo no Brasil. Ela recebeu o registro da Anvisa (Agência Nacional de Vigilância Sanitária) em 11 de maio, segundo informou ao R7 a agência.

Isso significa que pessoas alérgicas a ovo e derivados poderão finalmente se imunizar contra a gripe suína, ao contrário do que acontece hoje, porque as vacinas que estão disponíveis na campanha federal e nos laboratórios são fabricadas em ovo de galinha e, por isso, não são recomendada aos alérgicos.

A vacina da Baxter é feita através da cultura de células, tecnologia que dispensa o cultivo do vírus H1N1 dentro do ovo da galinha, ambiente onde o vírus consegue se multiplicar bastante a ponto de se fazer vacinas.

Procurada pela reportagem, a empresa não quis dar mais detalhes sobre a produção da vacina ou se vai, de fato, lançar o produto.

A Baxter é uma empresa norte-americana da área da saúde que desenvolve, fabrica e comercializa produtos de biotecnologia e terapias especializadas para hemofilia, doenças renais, distúrbios imunológicos, além de vacinas. Em 2008, o laboratório fabricou a primeira vacina contra a gripe aviária também sem a proteína do ovo. A empresa atua no Brasil desde 1960.

Alívio para os alérgicos

Segundo a infectologista Nancy Bellei, da Unifesp (Universidade Federal de São Paulo), uma das dificuldades dos alérgicos é justamente ter acesso a esse tipo de produto, que deverá ser disponibilizado apenas na rede privada. Portanto, quem quiser se imunizar terá de pagar por isso.

- As pessoas alérgicas têm que procurar vacinas que sejam produzidas sem o ovo, que não são distribuídas pelo governo. A boa notícia é que a indústria produtora já teve liberação e nos próximos dias é possível que haja essa vacina em algumas redes.

Mesmo disponível, o infectologista Celso Granato, da Unifesp, ressalta que a vacina contra a gripe suína feita sem a proteína do ovo deve ser tão eficaz quanto a que já está no mercado, e o alérgico que não foi vacinado pela falta desta vacina no mercado tem as mesmas chances de se infectar se comparado com outros que também não se vacinaram.

- A chance de contrair a gripe é igual, já que a coincidência é que a pessoa não pode tomar a vacina disponível pelo governo porque ela é feita em ovo de galinha. Isso não quer dizer que terá a doença de forma mais ou menos grave.

Por: Camila Neumam

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