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Saúde

Musculação pode deflagrar ataques de pânico em pessoas que sofrem do transtorno

Musculação pode deflagrar ataques de pânico em pessoas que sofrem do transtorno

Fonte: Atualizado: sábado, 29 de março de 2014 03:30

Respiração ofegante, ondas de calor, suor e palpitação podem ser sintomas comuns após uma série extenuante de musculação na academia. Mas, para quem sofre de síndrome do pânico, esse pode ser um alerta de que uma nova crise está desencadeando.

A síndrome do pânico caracteriza-se por crises agudas de medo e desespero sem razão aparente. A sensação é tão intensa e tão real que a pessoa tem a impressão de que vai morrer ou enlouquecer. Apesar de exercícios físicos serem recomendados para amenizar os sintomas, o treino pesado pode ter o efeito adverso, provocando uma nova crise em quem já enfrenta o problema.

Isso acontece porque após esforço intenso o corpo libera uma substância chamada ácido lático (a mesma que produz aquela sensação de "dor ardida" nos músculos após os exercícios pesados), que altera o PH do sangue, tornando-o mais ácido. Como consequência, as amígdalas (região no cérebro responsável por liberar disparar sinais de alerta em situações de perigo ou diante de uma ameaça) seriam acionadas, levando à crise de pânico.

Medo de ter medo

Outra possível explicação para o fenômeno é a de que os sintomas provocados pelos exercícios intensos - parecidos com os de um ataque - é que seriam responsáveis pela nova crise. Isso porque um dos maiores medos de quem tem síndrome é sofrer um novo episódio. "Os exercícios em si não deflagram a crise, e sim o medo de ter um ataque de pânico porque o coração disparou, ou a respiração ficou ofegante", aponta Mariângela Gentil Savóia, psicóloga e pesquisadora do Ambulatório de Ansiedade do Instituto de Psiquiatria da Faculdade de Medicina da USP.

Isso foi o que aconteceu com AIC, 28 anos, fonoaudióloga. Ela sofre de transtorno do pânico há um ano. Teve sua primeira crise em casa, quando assistia a TV com o namorado. De repente, teve a sensação de que ia morrer: o coração disparou, sentia falta de ar e tremores. "Fomos ao médico e fiz os exames, mas eles não apontaram nada de errado. O médico falou que eu estava estressada, que precisava relaxar, fiquei frustrada", conta.

Mas as crises não passaram. Aliás, o medo de se sentir daquele modo novamente deflagrou novas crises, uma delas na academia. "Estava correndo na esteira e de repente senti meu coração disparar de novo, a respiração ficou difícil, eu achei que ia ter outra crise. Parei de fazer o exercício na hora, mas estava com tanto medo que não consegui me controlar. Acabei parando no pronto-socorro de novo. E de novo falaram que eu não tinha nada".

O medo de se sentir mal novamente fez com que AIC parasse de ir à academia. E não foi só dos exercícios físicos de que abriu mão. "Parei de sair com meus amigos e evitava sair de casa a todo custo. Não queria nem ir ao trabalho. Então me disseram para procurar um psiquiatra, e finalmente tive o diagnóstico de transtorno do pânico". AIC então começou o tratamento, que já dura seis meses, e pôde voltar ao trabalho e às atividades rotineiras. Mas o medo de ter outro ataque do pânico ainda não passou totalmente. "Parte do tratamento é na academia, e estou me sentindo melhor. Mas ainda tenho um 'medinho' de ter outro ataque", conta.

O psiquiatra e coordenador do Ambulatório de Ansiedade da Faculdade de Medicina da Universidade de São Paulo (USP), Márcio Bernik, ressalta que as crises acontecem somente com quem já sofre de transtorno do pânico. E ainda assim, nem todos os portadores do transtorno são vulneráveis aos exercícios.

O psiquiatra ainda afirma que, apesar desse efeito adverso, os exercícios físicos são altamente recomendáveis para quem sofre do transtorno. "Se não houver contraindicações, exercícios físicos vigorosos representam uma forma de terapia eficiente para tratar o transtorno do pânico", afirma.

Postado por: Felipe Pinheiro

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