Natação ensina limites e dá segurança aos bebês

Natação ensina limites e dá segurança aos bebês

Atualizado: Quarta-feira, 11 Novembro de 2009 as 12

É encantador de ver. De longe, é possível ouvir os gritos de felicidade e o barulho das mãos batendo em tom de festa na água. Olhando a cena de perto, vem a dúvida: como seres tão pequenos e que tampouco falam podem entrar em uma piscina, abrir um sorriso e sair mergulhando, mexendo braços e pernas?

Se pensarmos que os bebês conseguem nadar antes de aprender a caminhar ou a engatinhar, a surpresa é maior ainda. Desde muito cedo, eles são verdadeiros peixinhos humanos.

- No primeiro momento, essas crianças reproduzem reflexos neonatais involuntários. Depois, isso é transformado em ato voluntário. Aos poucos, trabalhamos com rotinas, algumas cantadas para que a criança associe jogos à atividade que vai desenvolver - explica a professora de Educação Física Helena Alves D?Azevedo, especialista em técnica de natação e educação psicomotora.

Uma das explicações para o notável bem-estar e para a agilidade dos movimentos dentro da água estaria no próprio ambiente que os bebês ficam durante nove meses. Na barriga da mãe, embora não possam nadar, o líquido amniótico os envolve e traz conforto, e, na piscina, a água aquecida os protege e os faz lembrar da gostosa sensação de segurança. Apesar dessa relação, os especialistas não são unânimes sobre a idade em que a criança pode participar da atividade - sempre junto aos pais ou responsável.

Para Helena, uma boa cicatrização do umbigo é o pré-requisito inicial. O pediatra Roberto Mário Issler aconselha a natação a partir dos três meses, quando a criança já tem mais imunidade e está mais desenvolvida. Educador físico e especialista em natação para bebês e pré-escolares, Mario Freitas afirma que, desde o primeiro banho, é possível fazer exercícios com as crianças. Mas para colocá-las na piscina o recomendável é a partir dos seis meses, porque, além de mais protegidas, o movimento dos bebês é maior.

- Ensinar as crianças a nadar deve ser uma preocupação dos pais. Quando bebês, eles simulam movimentos de cachorrinho, pedalam e fazem propulsões com a sola do pé - diz Freitas.

Além de aprender a nadar, as crianças conhecem um pouco dos próprios limites por meio das técnicas de mergulho, desenvolvem a segurança, a motricidade, a tonicidade muscular e tem o estímulo do apetite e do sono. Quando estão com os pais - geralmente em aulas com crianças até três anos -, aprimoram a relação de afeto e o vínculo com a família. Assim, todos ficam bem preparados para, mais tarde, caírem juntos na piscina.

É difícil não se encantar ao ver um bebê de poucos meses de vida imerso em uma piscina e se movimentando muito bem. A habilidade de nadar dos recém-nascidos é uma das descobertas mais incríveis dos últimos anos.

De acordo com o livro Meu Bebê, de Desmond Morris (Editora Larousse), testes mostraram que quando a criança nesta fase mergulha o rosto na água morna enquanto é segurada na barriga, ela não mostra sinais de pânico e prende a respiração naturalmente, flutuando na água com os olhos bem abertos e apreciando o cenário subaquático. Se a mão de suporte é suavemente retirada, o bebê começa a realizar movimentos com seus membros e sai nadando na água.

A técnica utilizada vai depender da escola, mas geralmente segue um padrão que contempla o contato de um dos pais ou responsáveis e a adaptação do pequeno ao meio aquático. Conversamos com alguns especialistas para saber um pouco mais sobre a atividade para bebês.

Roupa - O ideal é que a criança esteja vestida com roupa de banho - maiô para as meninas e sunga para os meninos. O uso da touca não é necessário (a não ser que a escola exija), pois o bebê pode se sentir desconfortável. Fraldas também não são necessárias, porque, de acordo com especialistas, poucas vezes os bebês evacuam na piscina.

Alimentação - É aconselhável que a última refeição da criança (não muito pesada) seja feita até duas horas antes da aula. Sucos e água podem ser ingeridos uma hora antes da atividade.

Escolha - Visite a academia ou escola para conferir se há um ambiente adequado para a atividade infantil. A água da piscina deve estar em temperatura agradável, não muito fria. Prefira ambientes aquecidos, principalmente no inverno. Também verifique como é feita a limpeza da piscina - excesso de cloro pode irritar a pele do bebê.

Saída - Os adultos devem retirar os bebês da piscina com toalhas ou agasalhos, principalmente no inverno. Depois do banho, seque bem a cabeça e os ouvidos do seu filho.

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