Nova gripe aumenta atendimentos e leva hospitais a reforçar equipe médica

Nova gripe aumenta atendimentos e leva hospitais a reforçar equipe médica

Atualizado: Terça-feira, 14 Julho de 2009 as 12

Hospitais particulares que integram a rede de referência para os casos suspeitos da nova gripe registraram aumento nos atendimentos em São Paulo. Com o crescimento do número de pessoas que procura o pronto-socorro desses hospitais, alguns tiveram que reforçar a equipe médica. Mesmo assim, pacientes precisam esperar mais tempo pela consulta.

O governo de São Paulo convidou, no dia 30 de junho, hospitais privados de São Paulo a integrar a rede de referência. A medida foi tomada para descentralizar o atendimento das pessoas que possuem planos de saúde. As instituições que passaram a fazer parte da rede são: Sírio-Libanês, Albert Einstein, São Luiz (que possui três unidades na capital paulista), Santa Catarina, Oswaldo Cruz, Beneficência Portuguesa, Samaritano, Cema, Santa Paula, 9 de Julho e Sabará.

O infectologista Jorge Amarante, do Hospital Samaritano, diz que o hospital está atendendo cerca de 150 pacientes por dia com quadro gripal. Segundo ele, esse número representa de duas a três vezes mais do que o normal. "É um número bem maior do que o habitual. As pessoas que antes não viriam ao hospital por causa de uma gripe, hoje vêm", diz.

Desde junho, o hospital fez 38 notificações de casos suspeitos e colheu amostras para exames no Instituto Adolfo Lutz. Um deles acabou confirmado. Segundo o médico, 25% dos casos foram descartados e o resultado dos outros ainda é aguardado. A vítima da nova gripe era uma criança que chegou a ficar internada, mas já recebeu alta e passa bem.

Amarante conta que o aumento dos atendimentos mexeu com a rotina do hospital. Foi preciso reforçar o número de médicos no pronto-socorro e alterar a carga horária dos enfermeiros. Mesmo assim, em alguns dias, os pacientes enfrentam mais tempo de espera pela consulta, segundo o infectologista.

Longa espera

A previsão do tempo de espera para os pacientes que procuraram o Pronto-Socorro do Hospital Samaritano, na segunda-feira, 13 de julho, era de três horas a partir da pré-seleção na entrada para ser atendido, mas em alguns casos chegou quase a até quatro horas. Foi o caso da analista financeira Renata Watanabe, de 32 anos, que, incomodada por uma renite e uma sinusite, compareceu ao atendimento de emergência às 14h45 e só foi recebida pelo médico às 18h. Ela deixou o prédio do hospital por volta das 19h.

"Está lotado. É o pessoal que está gripado. Tinha muita gente de máscara", contou. Segundo ela, as pessoas que se apresentavam na recepção para uma triagem com os sintomas de gripe tinham de colocar as máscaras de proteção fornecidas pelos funcionários.

Com um torcicolo e dores no lado direito do corpo, o mecânico de manutenção João Esteves, de 44 anos, teve mais sorte e foi atendido em pouco menos de duas horas. "Cheguei às 17h30 e ninguém me passou uma previsão em relação a tempo de espera, mas a maior demora é na recepção, que gasta mais da metade do tempo", disse. De acordo com ele, havia muitas pessoas usando máscaras no hospital, menos os funcionários. "Se eu trabalhasse aqui, usaria com certeza", disse.

O casal de estudantes Gustavo Machado e Rebeca Glender, de 23 e 24 anos, respectivamente, chegou por volta das 18h20 na emergência e ainda iria enfrentar uma longa espera pela frente. "Nos falaram que a espera é de três horas a partir da pré-avaliação. O atendimento é todo no mesmo lugar e, como está lotado, está demorando mais do que de costume", disse Gustavo. A solução foi sair em busca de algum lugar para passar o tempo. "Vamos comer alguma coisa neste intervalo e depois a gente volta", afirmou Rebeca.

Boom no pronto-socorro

As três unidades do Hospital São Luiz que entraram na rede referenciada também tiveram um reforço na equipe médica, segundo o infectologista e pediatra Marco Aurélio Sáfadi. "A gente teve um 'boom' no pronto-socorro nesses 15 ou 20 dias. O movimento dos hospitais geralmente é mais baixo por causa das férias escolares, e não foi o que aconteceu. Nós tivemos que aumentar nossa equipe de médicos", afirmou.

A média diária de atendimentos em julho, em relação a junho, cresceu 7,5% na unidade do Itaim e 10% na do Morumbi, ambas na Zona Sul de São Paulo. Segundo a assessoria do São Luiz, o aumento não foi significativo na unidade Anália Franco, na Zona Leste. Os médicos dos hospitais atribuem o maior número de consultas ao medo da nova gripe. De acordo com Sáfadi, o crescimento na procura também influenciou na fila de espera.

Os hospitais têm iniciativas próprias para alertar os pacientes sobre a doença. Na unidade Anália Franco do São Luiz, haverá uma palestra sobre a nova gripe na quarta-feira, 15 de julho. Já o Hospital Samaritano criou um folder com informações da doença e disponibilizou um e-mail para tirar dúvidas dos pacientes.

Outros hospitais

O Hospital Sírio-Libanês diz que, em junho, houve um aumento de 30% nos atendimentos no pronto-socorro em relação ao ano passado por causa da nova gripe. A assessoria do Beneficência Portuguesa informou que, logo após o anúncio de que o hospital entrou na rede de referência, ocorreu um crescimento na procura, que vem diminuindo nos últimos dias.

No Hospital Santa Catarina, no entanto, houve queda nos atendimentos. De janeiro a junho de 2008, 11.769 pacientes com quadro de gripe procuraram o hospital. No mesmo período deste ano, o total de consultas foi de 10.962. Em junho, houve 41 notificações de casos suspeitos de nova gripe atendidos no hospital.

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