Nova técnica de cirurgia cardiovascular diminui traumas e cicatrizes

Nova técnica de cirurgia cardiovascular diminui traumas e cicatrizes

Atualizado: Sexta-feira, 14 Março de 2008 as 12

Cirurgia cardiovascular feita pelo mamilo privilegia estética feminina e diminui traumas e período de recuperação. Depois de três anos de estudo, a nova técnica começou a ser aplicada no Brasil por um grupo de médicos de Joinville (SC) coordenados pelo cirurgião cardíaco Robinson Poffo, especialista que introduziu a técnica no país. Além da satisfação em resolver um problema de saúde, as mulheres que fizeram esta operação também ficaram felizes com as mínimas cicatrizes deixadas pela nova cirurgia.

Helena Maria Felisberto, 47 anos, é casada e tem três filhos. Inchaço nas pernas e vômitos fizeram com que a dona-de-casa procurasse um médico. O diagnóstico foi estenose mitral (estreitamento da válvula, o que aumenta a resistência ao fluxo sanguíneo) e Helena foi orientada a fazer a cirurgia. "Fiquei assustada. É sempre preocupante um procedimento como este. Quando vi os resultados, tanto na parte estética quanto na diminuição do período de recuperação, fiquei mais confiante", explica. Após a cirurgia, no dia 21 de setembro de 2007, a dona de casa chegou a procurar um cirurgião plástico e teve uma boa notícia. "Ele me falou que não seria necessário fazer uma plástica, pois a cicatriz desaparecia naturalmente. Hoje, seis meses depois da cirurgia, tenho apenas discretos pontos no mamilo. O método também privilegia o lado estético do problema além da recuperação ser muito boa e rápida. Em sete dias deixei o hospital e já realizava algumas atividades do dia-a-dia", conta.

Uma das principais diferenças entre esse novo método e o convencional é que a operação pode ser feita pelo mamilo do paciente, tanto de mulheres quanto de homens, utilizando os mesmos procedimentos de incisão realizados em cirurgias plásticas para a colocação de próteses de silicone. O procedimento é vídeo-assistido e minimamente invasivo. Tem entre os seus benefícios a rápida recuperação do paciente e breve retorno às atividades habituais. O método pode ser aplicado para problemas nas válvulas cardíacas, arritmias e algumas cardiopatias congênitas.

Para realizar essa cirurgia, o médico Robinson Poffo, percursor do método no Brasil, explica que são introduzidos instrumentos especiais e uma micro-câmera, por meio de pequenos orifícios, no peito e na virilha do paciente. As imagens são transmitidas em tempo real para um monitor de vídeo de alta definição, o que permite ao médico ter uma visão ampliada, de aproximadamente dez vezes o tamanho "O trauma em uma cirurgia com esse método é bem menor, o que torna a intervenção esteticamente menos agressiva, já que o corte na cirurgia tradicional é bem maior. Tudo isto leva a uma menor internação e regresso mais rápido do paciente para casa", explica Poffo.

Além dos benefícios estéticos, esse processo minimiza o corte, evita hemorragias, inflamações e dores. "No método tradicional o paciente fica internado por, no mínimo, 10 dias e só pode voltar a dirigir depois de 45 dias de recuperação. Com essa nova técnica, a internação diminui para sete dias e em 10 o paciente já pode dirigir novamente", destaca o coordenador. Poffo conta que há pacientes que em 10 dias já fazem as mesmas atividades que faziam anteriormente, como trabalhar, andar de bicicleta, entre outros.

A primeira cirurgia foi realizada em Joinville e, até hoje, todos os pacientes operados demonstraram ótima recuperação e adaptação à nova técnica. "Já realizamos cirurgias de correção de arritmias e cardiopatias congênitas, inéditas no Brasil, através deste método", conta Poffo.

O médico-cirurgião Robinson Poffo trouxe a técnica da cidade de Leipzig, na Alemanha, centro de referência em desenvolvimento de novas tecnologias para cirurgia cardíaca . Após estágio na Universidade de Nova Iorque, "formatou" a técnica que é utilizada hoje no Brasil. "Estamos buscando criar um centro de referência e treinamento desse método, para disseminar esses conhecimentos e possibilitar que mais pacientes tenham acesso a essa cirurgia menos invasiva e traumática", comenta Poffo.

Postado por: Claudia Moraes

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