Nova técnica melhora a entrada de remédio pela pele para tratamento de câncer

Nova técnica melhora a entrada de remédio pela pele para tratamento de câncer

Atualizado: Quinta-feira, 2 Setembro de 2010 as 8:41

Pesquisadores da Faculdade de Ciências Farmacêuticas de Ribeirão Preto da USP (Universidade de São Paulo) descobriram um novo método que facilita a entrada de medicamentos pela pele, em especial de remédios usados na quimioterapia contra o câncer de pele. Por meio de uma técnica chamada iontoforese, os cientistas liberam uma corrente elétrica que diminui a resistência da pele, o que permite levar as substâncias diretamente ao tumor.

Liderados pela professora Renata Fonseca Vianna Lopez, os cientistas encapsularam a droga quimioterápica doxorrubicina em pequenas partículas de gordura (nanopartículas) e, em seguida, testaram a iontoforese em laboratório.

Essa já é uma técnica conhecida, utilizada no tratamento da hiperidrose (suor excessivo). Por meio dela, uma corrente elétrica de baixa intensidade é aplicada próximo à pele para diminuir a resistência do órgão. Segundo Renata, os resultados foram animadores pois a droga chegou em doses seis vezes maiores até as camadas profundas.

Além disso, quando avaliaram as células cancerosas, os pesquisadores observaram que a associação da técnica com as nanopartículas de gordura (que contêm o remédio) aumentou não só a entrada da droga pela pele, mas, também, sua entrada dentro das células tumorais, matando assim mais células doentes.

A explicação para o bom resultado do experimento ainda está sendo investigada. No entanto, os estudos indicam que as cápsulas protegem o fármaco do contato direto com as camadas da pele, diminuindo a interação da droga com essa parte do corpo. Além disso, a iontoforese atuaria forçando a entrada dessas partículas para camadas mais profundas, carregando o medicamento para o local desejado.

Saiba mais sobre a pesquisa

A pele é o órgão mais extenso do ser humano, cobrindo em média dois metros quadrados de superfície. Uma das funções de sua camada externa, chamada de estrato córneo, é justamente limitar a absorção de substâncias tóxicas do ambiente, além de controlar a temperatura e a água do organismo.

Essa barreira, no entanto, se torna um problema porque ela dificulta a aplicação de medicamentos. No caso da doxorrubicina, Renata explica que, para que o tumor seja atingido, altas doses da substância precisam ser injetadas. A consequência disso são alguns efeitos colaterais, principalmente no sistema cardíaco do paciente.

Com a nova técnica, o fármaco pode ser levado diretamente ao tumor, o que exige menos doses da substância e causa, consequentemente, menos efeitos negativos.

Durante o estudo, os pesquisadores perceberam ainda que, mesmo com a aplicação da corrente elétrica, a doxorrubicina ficava interagindo no estrato córneo e não ia completamente para as camadas mais profundas da pele, onde se localizam as células cancerosas. Foi então que eles tiveram a ideia de encapsular a droga em pequenas partículas de gordura.

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