Nova vacina contra a gripe acaba de chegar ao Brasil

Nova vacina contra a gripe acaba de chegar ao Brasil

Atualizado: Quarta-feira, 16 Abril de 2008 as 12

Produzidos pela Sanofi Pasteur, novos lotes já estão atualizados com os subtipos do vírus Influenza, causador da gripe, em circulação no hemisfério sul.

Todos os anos a gripe ataca 600 milhões de pessoas, causando até 500 mil mortes. 

Clínicas médicas e particulares de todo o Brasil já terão disponíveis, a partir desta semana, a nova vacina contra gripe. Como o vírus Influenza é mutante, as doses que chegam ao Brasil estão atualizadas de acordo com os três subtipos (cepas) circulantes no hemisfério sul: A/Solomon Islands/3/2006 (H1N1), A/Brisbane/10/2007 (H3N2), e B/Florida/4/2006. Esses subtipos do vírus foram identificados pela rede de vigilância epidemiológica coordenada pela Organização Mundial da Saúde (OMS), que inclui o Brasil.  

Por ano, a gripe ataca entre 10 e 20% da população do planeta, cerca de 600 milhões de pessoas, provocando meio milhão de mortes e milhões de internações. Além do idosos e pessoas com doenças crônicas, as crianças são as mais vulneráveis à gripe e suas complicações - como pneumonia, infecção no ouvido (otite) e inflamação nos brônquios (bronquite). A doença atinge uma a cada três crianças. Nos adultos, esta proporção é de um contaminado para dez. De acordo com o Datasus, a gripe provocou em 2005 perto de 1,5 milhão de internações e 75 mil mortes.  

Grupos de risco 

"O programa brasileiro de vacinação é um fato de grande relevância porque conseguiu atingir 70% dos idosos em 96% dos municípios. Agora, é importante iniciar a imunização de crianças entre seis meses a cinco anos", afirma o médico Eitan Berezin, Chefe de Infectologia Pediatria da Faculdade de Ciências Médicas da Santa Casa de São Paulo (FCMSCSP) e Presidente de Infectologia da Sociedade Brasileira de Pediatria.  

Em fevereiro de 2008, o ACIP - Comitê Assessor de Práticas de Imunização (Advisory Committee in Immunization Practices) do governo norte-americano - decidiu que na próxima temporada de gripe do hemisfério norte (2008/2009) vai recomendar a vacinação contra a gripe de crianças de seis meses até jovens de 18 anos. Antes desta decisão, a recomendação previa a vacinação de crianças de seis a 59 meses. No Brasil, a Sociedade Brasileira de Pediatria recomenda a vacinação de crianças entre seis meses a dois anos. Já a SBIm - Sociedade Brasileira de Imunizações considera este grupo prioritário e preconiza, se possível, que a vacinação se estenda para jovens de até 18 anos.  

Estudo inédito da Faculdade de Ciências Médicas da Santa Casa de São Paulo, comandado por Eitan Berezin, detectou que as doenças virais foram responsáveis por 38% das 460 crianças internadas entre 2005 e 2006 com problemas respiratórios. Em 4% dos casos, foi detectada a presença do vírus Influenza. "Como para os outros vírus não há vacina, as internações por gripe poderiam ter sido evitadas, caso essas crianças tivessem sido imunizadas", afirma o médico.  

Por ter o sistema imunológico vulnerável, a criança não só é uma das grandes vítimas da gripe, como também o maior disseminador da doença. "A criança elimina o vírus da gripe por até dez dias após o contágio. No adulto, este período é de uma semana", explica a pediatra Isabella Ballalai, vice-presidente da SBIm. Anos atrás, o Japão decidiu vacinar alunos da rede escolar, resultando na queda de incidência da doença nas crianças e nos idosos.  

Estudo realizado nos Estados Unidos acompanhou 1.462 crianças de seis meses a 14 anos e suas famílias por duas temporadas de gripe seguidas. As gripadas contaminaram 31,2% dos irmãos menores de cinco anos e 18,8% acima desta faixa etária. Na época de maior circulação do vírus, a doença causou 50% das doenças respiratórias agudas e febris e 25% das consultas ambulatoriais.  

A infecção pelo vírus da gripe pode piorar o estado de saúde de grupos de pessoas portadoras de doenças crônicas, como os cardiopatas, diabéticos e imunocomprometidos., levando até a morte. No Brasil, a vacina está disponível gratuitamente para estes grupos de risco nos Centros de Referência de Imunobiológicos especiais (CRIEs).

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