O café faz bem à saúde?

O café faz bem à saúde?

Atualizado: Quarta-feira, 30 Janeiro de 2008 as 12

A bebida preferida dos brasileiros, o café, não é uma unanimidade quando o assunto é o impacto do consumo da bebida sobre a saúde. Quem já não ouviu falar que o consumo de café interfere na absorção do cálcio e pode acelerar a osteoporose? Ou que o café está associado a males do estômago, à agitação e pode causar dependência? O fato é que o café, que já foi símbolo da economia do Brasil, também pode trazer benefícios à saúde. Mas, cabe um alerta: deve se consumido com moderação!

Algumas linhas de pesquisa conduzidas por especialistas de diversos países têm revelado os efeitos positivos do café, entre eles: reduzir o colesterol, auxiliar no combate a doenças coronarianas, proporcionar efeitos antidepressivos, reduzir o risco do mal de Parkinson, proteger contra diabetes do tipo 2, desenvolver ação antioxidante (que atua contra o envelhecimento das células), e auxíliar em processos de emagrecimento e na prevenção de alguns tipos de câncer (cólon e reto). Há estudos recentes, inclusive, que indicam que substâncias presentes no café podem prevenir demências e mal de Alzheimer e que o consumo moderado e regular inibe o alcoolismo e a depressão. No Brasil, a Fundação Zerbini assinou, em 2006, um protocolo com a Associação Brasileira da Indústria do Café para a criação da Unidade de Pesquisa Café-Coração do Incor, que até hoje tem conduzido pesquisas sobre a bebida.

De acordo com o cientista da Vanderbilt University´s Institut for Coffee Studies, Tomas DePaulis, nas últimas décadas foram produzidos 19 mil estudos sobre o impacto do café na saúde, sendo que a maioria das pesquisas mostra que o café traz mais benefícios do que malefícios. Em um artigo, DePaulis cita um estudo realizado no Brasil que atestou que crianças que tomam café com leite uma vez ao dia têm menos chance de desenvolver depressão do que as que não consomem a bebida. O cientista afirma que não há estudos que comprovam impactos negativos do café sobre as crianças.

Apesar de indícios de que o café não causa dependência — desde 2004 a cafeína não consta mais na lista da Agência Mundial Anti-Doping de substâncias que causam doping — há muita controvérsia em torno da cafeína, substância estimulante do sistema nervoso central. Alguns médicos psiquiatras defendem que substâncias como a cafeína são contra-indicadas em casos de depressão, porque alteram o humor das pessoas. Em contrapartida, os especialistas que defendem o cafezinho, afirmam que a cafeína representa entre 1% a 2,5% da composição do café e que os efeitos indesejáveis só ocorrem com o consumo em excesso. Vale lembrar que o café é composto por potássio, zinco, ferro, magnésio, minerais, aminoácidos, proteínas, lipídeos, além de açúcares e polissacarídeos. Há, ainda, uma quantidade considerável de polifenóis antioxidantes — os ácidos clorogênicos — que durante o processo de torra do café formam novos compostos bioativos, os quinídeos. Ou seja, há muito mais componentes no café do que imaginamos!

Café & osteoporose

A crença de que a cafeína pode acelerar processos de osteoporose, difundida popularmente, deve ser avaliada mediante algumas considerações. A cafeína não tem o poder de interferir na absorção de cálcio, que é controlado por uma série de hormônios e vitamina (vitamina D), ou seja, a cada 1.200 mg ingeridas ao dia, apenas 300 mg são absorvidos. Há pesquisas que indicam que falta de consumo diário de leite pode estar relacionada com a incidência de osteoporose em idosos. Fatores como sedentarismo e tabagismo também influem significativamente. Entretanto, estudos apontam que o risco de fratura do quadril, originada por osteoporose, apresenta uma pequena relação com o consumo de doses elevadas de cafeína — superiores a cinco xícaras diárias, o equivalente a 700 mg de cafeína por dia.

Médicos e fisiatras da Universidade Trakya, Turquia, conduziram um estudo para avaliar o impacto do tabagismo e do consumo de café em mulheres durante o estágio de pré-menopausa. O objetivo era investigar se o tabagismo e o consumo de café podem alterar os valores de densidade mineral óssea no pós-menopausa. Após acompanhar 200 mulheres pesquisadores não encontraram qualquer relação entre a quantidade de café consumida e os níveis de densidade mineral. No entanto, idade avançada, duração da menopausa e tabagismo foram identificados como fatores de risco para desenvolvimento de osteoporose.

De toda forma, os estudos sobre o impacto do consumo do café na saúde têm avançado e muitos deles comprovam — ou tendem a comprovar — que as propriedades do café podem ajudar na saúde. Entre esses estudos, destaco:

Menor risco de diabetes

Análise sistemática publicada no The Journal of the American Medical Association cita que o cafezinho está associado a um menor risco do desenvolvimento da diabetes tipo 2. Entre as possibilidades, o café contém anti-oxidantes que ajudam a controlar o dano causado às células que podem contribuir para o desenvolvimento da doença. Uma das conclusões é que quantidades maiores de café são úteis na prevenção da diabetes. Em nota que reúne dados estatísticos de vários estudos, pesquisadores apuraram que pessoas que bebiam de quatro a seis xícaras de café por dia tinham 28% menos chances de desenvolver a doença, enquanto as que consumiam uma ou duas xícaras tinham maiores chances de desenvolver a doença. A redução do risco entre os que beberam seis xícaras foi de 35%.

Retarda a deterioração mental

Pesquisa publicada na revista médica norte-americana Neurology indicou que a cafeína pode retardar a deterioração mental em idosas. O efeito foi observado em mulheres com mais de 65 anos que consumiam mais de três xícaras de café por dia. A substância não teve o mesmo resultado nos homens. Os efeitos benéficos da bebida sobre a memória de portadores de doenças degenerativas ocorre porque a cafeína age no sistema nervoso central como um estímulo.

Mal de Parkinson

Os pesquisadores do Centro de Transtornos Motores, ligado ao Centro Médico da Duke University da Carolina do Norte (EUA), afirmaram que membros de famílias afetadas pelo mal de Parkinson que fumam e bebem café em grandes quantidades têm menos probabilidades de desenvolver a doença, apesar de correrem outros riscos ao adotar esses hábitos.

Diminuição do risco cardiovascular

Estudos mostram que o risco cardiovascular pode diminuir com o consumo de café. Após acompanhar, por 15 anos, mais de 27 mil mulheres com idades entre 55 e 69 anos, pesquisadores noruegueses descobriram que as mulheres que bebiam de uma a três xícaras de café ao dia reduziam o risco de desenvolvimento de doenças cardiovasculares em 24% em relação àquelas que não bebiam café. No entanto, à medida que a quantidade de ingestão do café aumentava, o benefício decrescia. Com mais de seis xícaras ao dia, o risco não era reduzido de forma significativa. Ainda sim, depois de um filtro de controle por idade, consumo de cigarros e de álcool, as mulheres que bebiam de uma a cinco xícaras de café ao dia reduziram o risco de morte por qualquer uma das causas em 15% a 19%.

Esses são apenas alguns dos estudos de uma ampla gama de linhas de pesquisas que têm por objetivo avaliar os efeitos do café sobre a saúde. O interesse crescente de pesquisadores de diversas áreas médicas pelos efeitos da bebida mostram que ainda há muito mais por estudar. No momento, colocado na balança, o impacto positivo do café parece superar os eventuais impactos negativos, o que nos anima a continuar saboreando a tradicional bebida. Mas, sempre, com moderação!

Postado por: Felipe Pinheiro

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