Obesidade e depressão: uma via de mão dupla

Obesidade e depressão: uma via de mão dupla

Atualizado: Quarta-feira, 14 Abril de 2010 as 12

"Ambas, depressão e obesidade, são problemas que estão cada vez mais presentes nas notícias e parecem afetar uma boa parcela da população mundial" dizem os autores do estudo publicado no periódico Archives of General Psychiatry. "E por estarem sempre caminhando juntas, ao que parece, as duas condições - que também afetam negativamente a saúde do coração - são objeto de análise de vários estudos." Entender a relação entre esses dois fatores ao longo do tempo pode ajudar a uma melhor prevenção e na criação de estratégias de intervenção.

Floriana Luppino, da Universidade de Leiden, na Holanda, e outros pesquisadores analisaram os resultados de 15 estudos publicados anteriormente e que, juntos, compilaram dados de quase 60 mil participantes de um estudo longitudinal (de longa duração, feito repetidamente com os mesmos indivíduos). Todos os estudos procuravam respostas para a relação entre obesidade e depressão.

O estudo descobriu associações bidirecionais, ou seja, pessoas obesas tinham um aumento de 55% no risco de desenvolverem depressão, ao mesmo tempo em que pessoas depressivas tinham um aumento de 58% no risco de se tornarem obesas. "A associação entre depressão e obesidade foram maiores do que as associações entre depressão e simples sobrepeso, o que reforça a ideia de uma paridade nas condições", afirmam os pesquisadores.

Muitas teorias para a ligação entre as condições

As ligações biológicas entre esse dois problemas ainda não são claras e parecem ser bastante complexas, apesar das diversas teorias propostas por pesquisadores do mundo todo. Alguns consideram que o estado inflamatório causado pela obesidade pode se associar ao maior risco de desenvolver a depressão. Mas outras pesquisas apontam que a baixa autoestima e a insatisfação corporal podem colocar as pessoas em risco de desenvolver depressão. Já a depressão, dizem outros autores, pode interferir no sistema endócrino e mesmo o uso de antidepressivos pode ter como efeito colateral o ganho de peso irregular.

Os autores sugerem que essas descobertas são de ordem prática. Pacientes depressivos devem ser monitorados quanto ao peso na mesma proporção que os pacientes obesos precisam de atenção quanto às variações de humor. Estar atento a essas oscilações é o melhor tipo de prevenção disponível e o tratamento paralelo de uma das condições pode reduzir o avanço de outra, finalizam os pesquisadores.

Postado por: Felipe Pinheiro

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