Obra explica por que afundamos no chocolate durante a depressão

Obra explica por que afundamos no chocolate durante a depressão

Atualizado: Sexta-feira, 3 Junho de 2011 as 11:38

Em "Liberte-se da Fome Emocional" (Lua de Papel, 2011), a escritora Geneen Roth se propõe a explicar por que nos alimentamos por impulso e nos tornamos maníacos por dietas de acordo com nosso estado emocional e revela o que está por trás deste comportamento.

Dona de um texto franco, a autora usa suas próprias vivências para produzir questionamentos e exercícios reflexivos com o objetivo de ensinar o leitor a reconhecer os sinais da fome psicológica, saber quando parar de comer, lidar com a pressão social e familiar e observar e modificar seus hábitos alimentares.

Roth, que já experimentou ser magra e gordinha, também reflete sobre o ideal do corpo perfeito e quais são as implicações psicológicas dele nas mulheres.

A autora é responsável pelo best-seller "Mulheres, Comida & Deus" (Leya, 2010), também sobre a relação entre as emoções e a comida.

Leia trecho do capítulo "Sabendo Quando Parar de Comer: Já Chega".     A satisfação depende de seu estado de espírito, de suas necessidades emocionais, de seu bem-estar fisiológico . O que satisfaz em um dia pode não ser o suficiente no dia seguinte. Na maioria das vezes, gosto de começar a comer quando sinto fome e gosto de parar quando ainda tenho espaço para mais comida. Gosto da sensação de leveza, a sensação de não estar com fome, mas não estar cheia.

Não faz muito tempo que me envolvi em um acidente de carro. Na batida, o lado do motorista do meu carro foi amassado por outro que vinha a 90 km/h. Saí sem nenhum arranhão, mas muito abalada e com uma forte noção da fragilidade humana. Logo após o acidente, senti necessidade de ser tocada. Queria sentir alguma coisa viva, uma respiração, uma batida de coração, um corpo quente. Vivendo sozinha e incapaz de conseguir esse tipo de intimidade física, peguei no sono chorando. No dia seguinte, percebi que ao sentir fome queria refeições fartas, quentes e encorpadas, arroz e legumes, batatas assadas, lasanha e pão, ovos e torradas. Queria me sentir cheia. Queria me sentir aquecida. Queria sentir a solidez e a força do meu corpo.

Estava tão feliz por estar viva, que saí em busca de outra coisa tão boa quanto ter uma pessoa ao meu lado: comida. Assim, passei a fazer três grandes refeições ao dia, em vez das duas que fazia normalmente; imaginei que meu corpo estivesse se adaptando ao acidente e soubesse do que precisava. No fundo, eu ouvia aquela voz agora familiar: "Ai, meu Deus. Não dá para acreditar que você está comendo tanto. Você vai virar um balão se continuar assim. Que tal comer uma cenoura no jantar?".

É possível que se tivesse sido tocada, abraçada e apoiada naquele momento eu não sentisse tanta vontade de comer. Mas duvido. Eu ainda teria que lidar com a sensação de fragilidade, o medo terrível de que meu corpo pudesse desmoronar a qualquer momento. Eu ainda iria querer me sentir cheia, quente e sólida. Mesmo que estivesse me voltando para a comida apenas porque não podia me voltar para uma pessoa, já era bom o bastante. A questão crucial da vida não é ser magra a qualquer custo. Esperamos poder dar a nós mesmas o apoio, a sustentação e o aconchego que precisamos, da maneira mais livre e amorosa possível.    

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