Oferta de médicos na rede privada é 4 vezes maior que a do SUS

Oferta de médicos na rede privada é 4 vezes maior que a do SUS

Atualizado: Quarta-feira, 30 Novembro de 2011 as 2:32

O diagnóstico é do levantamento feito pelo CFM (Conselho Federal de Medicina) e pelo Cremesp (Conselho Regional de Medicina do Estado de São Paulo), divulgado nesta quarta-feira.

O estudo propõe a criação de um índice para medir as disparidades de abastecimento do SUS e da rede particular. Chamado de IDPP (Indicador de Desigualdade Público/Privado), o índice é a razão entre o número de postos de trabalho médico ocupado na rede privada por 1.000 habitantes, sobre o número de postos ocupados na rede pública por 1.000 habitantes.

No Brasil, essa razão é 3,9, o que significa que a presença médica na rede privada é 3,9 vezes a presença na rede pública, sempre considerando a população atendida por cada rede.

Nessa conta, aparecem as disparidades regionais. Apenas o Sudeste fica abaixo da média, indicando uma igualdade maior de abastecimento de médicos no SUS e na rede particular (2,31).

O Nordeste é o campeão do índice, chegando a 6,77. É seguido pelo Centro-Oeste (6,26), pelo Sul (5,9) e pelo Norte (5,26).

Entre os Estados, a diferença sobe. Na Bahia, o índice atinge 12,09. O Estado do Rio é o menor, ficando em 1,63.

"O resultado não mostra se há sobra ou falta de médicos nesses Estados, mas aponta que os cariocas que utilizam o serviço público contam com um número de médicos bastante próximo daqueles que se valem de planos privados de saúde. Já entre os baianos, há uma enorme diferença entre essas duas populações, com grande desvantagem para os usuários do SUS", argumentam as entidades no levantamento.

O IDPP só é abaixo de zero, o que mostra maior abastecimento proporcional de médicos no SUS, nas cidades de São Paulo (0,93), Vitória (0,62) e Rio de Janeiro (0,59).

Manaus aparece com 0,94, mas o estudo alerta para distorções nesse valor pelo número reduzido de postos para médicos no Estado.

O número de médicos na rede privada tende a crescer, de acordo com o levantamento, já que a oferta de postos de trabalho na rede privada subiu nos últimos anos --o levantamento não leva em conta os consultórios particulares.

MAIS MULHERES

O censo contabilizou 371.788 médicos em atividade em outubro deste ano, chegando a uma razão de 1,95 médico para cara 1.000 habitantes no país.

O número de mulheres entre os médicos vem crescendo, como adiantado nesta quarta a coluna da Mônica Bergamo.

Em 2009, pela primeira vez, as mulheres superaram os homens na entrada no mercado de trabalho --em 2010, a proporção na entrada ficou em 52,46% mulheres e 47,54% homens.

As mulheres são maioria apenas na faixa até 29 anos. Acima dos 30, os homens têm presença maior, chegando a 81,9% na faixa acima dos 70 anos.

O estudo ainda apontou certo equilíbrio na entrada de profissionais médicos no mercado de trabalho desde 2002, mas disse que o salto no número de médicos nos últimos anos se deve à "abertura desenfreada de escolas médicas".

veja também