Oncoplástica, a cirurgia plástica de reconstrução da mama

Oncoplástica, a cirurgia plástica de reconstrução da mama

Atualizado: Terça-feira, 16 Agosto de 2011 as 12:57

O diagnóstico do câncer de mama causa grande fragilidade emocional, pois seu tratamento cirúrgico, seja para remoção de tumores iniciais como ocorre na cirurgia conservadora da mama ou para tumores maiores, como nas situações de mastectomias (retirada da mama), provoca alterações físicas visíveis que afetam fortemente a autoestima feminina.

De acordo com a avaliação do Dr. Alexandre Mendonça Munhoz (CRM-SP 81.555), especialista em cirurgia plástica de mama e Membro Especialista e Titular da Sociedade Brasileira de Cirurgia Plástica, a cirurgia plástica de reconstrução da mama apresenta atualmente importante papel no contexto do tratamento global da patologia no que tange ao bem-estar e à qualidade de vida emocional e social dessas pacientes.

Um estudo publicado pela Universidade de Michigan/EUA em 2008 avaliou o impacto do resultado estético após o câncer de mama na qualidade de vida de pacientes. Em uma análise que envolveu 12 centros nos EUA e mais de 23 equipes de cirurgia plástica diferentes, foram avaliados aspectos relacionados à satisfação corporal, depressão, medo de recorrência e alteração na percepção da saúde. “Por meio da utilização de escalas, os pesquisadores observaram que pacientes com assimetria mamária após o tratamento do câncer apresentaram piores índices de contentamento e maior incidência de depressão que as pacientes com mamas simétricas e submetidas a técnicas de reconstrução.

Desta forma, nos tempos atuais, mastologia e cirurgia plástica devem caminhar juntas, uma vez que os benefícios da oncoplástica à imagem corporal, com ausência de mutilação, têm impacto positivo na qualidade de vida e na reabilitação psicossocial após o tratamento da doença” afirma Dr. Alexandre.

Número de mulheres submetidas à oncoplástica cresce  

No Brasil, assim como no mundo, já é notado maior esclarecimento por parte da população leiga e, sobretudo das especialidades médicas envolvidas, quanto às inúmeras técnicas disponíveis, além da tranquilidade em relação à segurança destes procedimentos em conjunto com o tratamento do câncer.

 Desta forma, o maior esclarecimento científico, por parte da comunidade médica, e o oferecimento deste tratamento como parte integrada do tratamento cirúrgico do câncer de mama levam a um crescimento do número de cirurgias de reconstrução a cada ano. “Apesar deste crescimento ser mais notório nos hospitais acadêmicos de nível terciário, também temos observado iniciativas públicas no Sistema Único de Saúde (SUS) no intuito de oferecer técnicas para as pacientes submetidas ao tratamento do câncer de mama na rede pública. Mas, sabemos que mais mulheres poderiam se beneficiar deste tipo de procedimento”, explica o especialista. 

Atualmente, a reconstrução da mama é feita com a utilização de retalhos ou com o uso de próteses de silicone. Segundo Dr. Alexandre Munhoz, de maneira geral, existem pacientes que demonstram melhor evolução com a utilização de próteses, o que gera o benefício de uma cirurgia de menor porte e um tempo de recuperação mais curto.

Todavia, dependendo da anatomia local e da extensão da cirurgia do câncer, detecta-se a necessidade de retalhos com o objetivo de favorecer o resultado final e se evitar complicações maiores. “Também deve-se ponderar a necessidade de radioterapia pós-operatória, que em alguns casos apresentam melhor evolução quando empregamos os retalhos para a reconstrução”, diz o médico.

Para finalizar, Dr. Alexandre Munhoz afirma que considerando este cenário, a grande evolução da cirurgia plástica de reconstrução nos próximos anos será muito mais conceitual do que propriamente técnica.

Desta forma a cirurgia oncoplástica no Brasil e no mundo caminha para uma mudança de pensamento médico em que pese o tratamento cirúrgico do câncer mamário com a sua total incorporação no tratamento global da patologia, da mesma forma que a quimioterapia, radioterapia e hormonioterapia. “Inúmeros estudos já demonstram os benefícios da cirurgia oncoplástica em associação com o tratamento do câncer de mama e, brevemente, não haverá mais sentido ou espaço para a terapia do câncer sem o emprego de técnicas de cirurgia plástica com intuito de favorecer o resultado estético final, melhorar a imagem corporal e promover qualidade de vida. É apenas uma questão de tempo”, finaliza o especialista.

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