Operação no útero salva bebês com doença pulmonar

Operação no útero salva bebês com doença pulmonar

Atualizado: Terça-feira, 16 Março de 2010 as 12

Um estudo do Departamento de Medicina Fetal do Hospital das Clínicas de São Paulo concluiu que a realização de uma cirurgia intrauterina para tratar um tipo de desenvolvimento incompleto dos pulmões (a chamada hipoplasia pulmonar) aumenta para 50% as chances de sobrevida dos recém-nascidos. Sem a cirurgia, a chance oscila entre 5% e 10%.

O ginecologista Rodrigo Ruano, especialista em medicina fetal, comparou a evolução clínica de 17 bebês operados ainda no útero (no sétimo mês de gestação) com a evolução de 18 bebês tratados após o parto.

Dos operados antes de nascer, nove sobreviveram ao procedimento e sete estão em casa. Entre os tratados após o nascimento, só um sobreviveu.

O problema

A cirurgia é indicada para a hipoplasia pulmonar que acontece por causa de uma malformação congênita chamada hérnia diafragmática. Nesses casos, ocorre um defeito de fechamento do diafragma (músculo que separa o tórax do abdômen) e os órgãos abdominais (intestino, estômago e fígado) entram na cavidade torácica, comprimem os pulmões e impedem o seu crescimento.

O problema provoca dificuldades intensas de respiração e pode levar a criança à morte. É raro -afeta, aproximadamente, um em cada 2.000 a 5.000 nascidos vivos.

O diagnóstico normalmente é feito no quinto mês de gestação, com o ultrassom morfológico. Quando há essa malformação, o coração do bebê normalmente está desviado para o lado. "Quanto mais precoce o diagnóstico, maior a chance de sucesso", diz Ruano.

A cirurgia é indicada só para os casos graves e acontece na 28ª semana de gravidez. Gestante e feto são anestesiados.

É implantado, via tubo endoscópico, um balão de látex na traqueia do feto. O objetivo é bloquear a passagem de ar para que os pulmões cresçam. Assim, quando a criança nasce, segundo Ruano, seus pulmões já estão mais desenvolvidos.

O balão de látex é biodegradável e costuma ser absorvido pelo organismo antes do parto -programado para acontecer com 37 semanas de gestação. Mesmo assim, nesses casos os médicos retiram o balão (caso tenha sobrado algum fragmento) logo após o nascimento.

Ruano explica, entretanto, que essa técnica não trata a doença --que é a abertura do diafragma--, apenas dá condições de a criança nascer e sobreviver para fazer outra cirurgia, que vai fechar o buraco entre o tórax e o abdômen.

Antônio Moron, ginecologista da Unifesp e coordenador de medicina fetal da maternidade Santa Joana, diz que a cirurgia é promissora, mas, por enquanto, deve continuar restrita a hospitais universitários.

"Sem a cirurgia, a evolução do bebê é muito ruim. Com esse procedimento, é possível aumentar a sobrevida desses pacientes e isso é muito positivo", afirma o médico.

Postado por: Felipe Pinheiro

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