Os riscos da gravidez após os 40 anos

Os riscos da gravidez após os 40 anos

Atualizado: Sexta-feira, 9 Setembro de 2011 as 10:38

Uma pesquisa realizada pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) mostrou que nos últimos cinco anos a proporção de mulheres que engravidaram dos 20 aos 30 anos de idade diminuiu, enquanto o índice entre as de 31 a 40 anos aumentou, comprovando que as mulheres estão protelando a gravidez.

Cada vez mais as mulheres prorrogam o sonho de se tornarem mães para se dedicar ao sucesso profissional e financeiro. A falta de relacionamentos estáveis também é um fator que as estimula a optar pela gravidez após os 40 anos, porém é preciso saber que nesta idade as mulheres estão menos férteis.

As mulheres nascem com aproximadamente duas milhões de células capazes de se transformarem em óvulos, e estas são liberadas mês a mês no ciclo menstrual até chegarem ao fim, por volta dos 45 anos, quando se dá a menopausa. "Já o homem não possui este problema uma vez que o esperma é sempre produzido e renovado", explica a ginecologista Glene Rodrigues.

A fertilidade feminina tende a diminuir após os 35 anos, quando as chances de engravidar giram em torno de 20%, e cai abruptamente depois dos 40. O médico ginecologista Ricardo Marinho aponta que as chances de uma gravidez espontânea aos 45 são remotas. "Além da idade dos ovócitos, a maior exposição a doenças sexualmente transmissíveis e o aumento da incidência de endometriose podem interferir na fertilidade", explica.

A mulher que pretende engravidar depois dos 40 anos, período conhecido como gravidez tardia, não deve desistir de ter um filho, mas é necessário conhecer todos os riscos que esta gestação pode envolver. Segundo Glene, "entre os 20 e 35 anos existe um menor risco de contrair doenças maternas".

Em idade avançada, a mulher está mais exposta a doenças que podem influenciar sua fertilidade, como as já citadas doenças sexualmente transmissíveis, inflamação das trompas, aparecimento de miomas ou endometriose, que é uma das causas mais comuns.

Alguns problemas ocorrem durante a gestação tardia como o aumento da incidência de abortos, provocado, segundo o médico ginecologista Ricardo Marinho, pela qualidade inferior dos ovócitos restantes, que são mais velhos e propensos a alterações genéticas. Além disso, é maior o risco da mãe apresentar hipertensão arterial e diabetes.

As mulheres devem ser alertadas a outro problema, a chance de gerarem um filho com Síndrome de Down. Em uma gestação aos 40 anos o risco de ter um filho com essa doença chega a 1%, aos 45 anos essa estatística chega a 4%. Quando se engravida aos 20 anos os índices são bem inferiores, um a cada 1.500 bebês nascem com Síndrome de Down, enquanto aos 45 anos, a cada 25 crianças uma nasce com esse distúrbio genético.

Entretanto, Ricardo ressalta que, mesmo tardia, a gestação pode ser bem-sucedida, desde que haja acompanhamento médico. As dificuldades de reprodução podem ser revertidas com técnicas de concepção assistida oferecidas em clínicas de fertilização.

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