Ouvir 'meia conversa' ao celular irrita e tira a concentração

Ouvir 'meia conversa' ao celular irrita e tira a concentração

Atualizado: Terça-feira, 25 Maio de 2010 as 8:19

Você já tentou compreender por que ouvir ao acaso uma conversa no celular pode ser tão irritante? Pesquisadores norte-americanos consideram ter encontrado a resposta.

Seja no escritório, em um trem ou no carro, apenas metade da conversa é ouvida, o que requer mais atenção e concentração do que ouvir duas pessoas conversando, de acordo com cientistas da Cornell University.

"Temos menos controle quanto a desviar nossa atenção de meia conversa do que quando ouvimos um diálogo," disse Lauren Emberson, coautora do estudo que será publicado pela revista "Psychological Science".

"Como meias conversas causam mais distração e é mais difícil ignorá-las, isso pode explicar porque as pessoas se irritam," disse ela, em entrevista.

No ano passado, os norte-americanos passaram 2,3 trilhões de minutos falando em celulares, de acordo com a CTIA, associação de telefonia móvel dos Estados Unidos --um avanço de 900 por cento ante o total do ano 2000.

Existem 4,6 bilhões de assinantes de serviços de telefonia móvel no mundo, de acordo com a International Telecommunications Union, uma agência das Nações Unidas. Isso equivale a dois terços da população mundial, restando poucos lugares no planeta que não estejam ocupados por pessoas equipadas com celulares.

A China tem o maior número de usuários de celulares, com 634 milhões, seguida pela Índia, com 545 milhões, e pelos EUA, com 270 milhões, de acordo com dados da Central Intelligence Agency (CIA) norte-americana.

Emberson disse que as pessoas tentam compreender a parte da conversa que estão ouvindo e prever o que o participante dirá em seguida.

"Se você ouve meia conversa, recebe menos informação e não é capaz de prever com a mesma eficiência," segundo ela. "Isso requer mais atenção."

As constatações de Emberson e de seu coautor, Michael Goldstein, se baseiam em pesquisa envolvendo 41 universitários que realizaram exercícios de concentração, por exemplo, acompanhar o movimento de pontinhos, enquanto ouviam conversas telefônicas - por inteiro ou apenas um dos lados.

Os estudantes cometiam mais erros ao ouvir um lado da conversa do que ao ouvi-la por inteiro.

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