Ovários policísticos podem causar transtornos à saúde

Ovários policísticos podem causar transtornos à saúde

Atualizado: Quinta-feira, 20 Janeiro de 2011 as 9:04

Comer um mínimo de oito porções de frutas e vegetais por dia pode diminuir o risco de doença cardíaca em um quarto, afirmaram cientistas britânicos. Um novo estudo descobriu que, ao contrário do que se imaginava, comer cinco porções diárias para uma vida saudável pode ser inadequado.

Algumas mulheres, ao contrário da maioria, não apresentam um ciclo menstrual regular. A primeira coisa que percebem é que o intervalo entre uma menstruação e outra geralmente é muito mais longo que o normal, podendo chegar a meses. Também relatam o aparecimento de acne, aumento da oleosidade da pele, pelos no corpo e ganho de peso. A medicina explica: trata-se de um caso típico de ovários policísticos.

O ginecologista da Universidade Federal de São Paulo (Unifesp), Wagner J. Gonçalves, esclarece que os ovários policísticos não são uma doença e sim, uma síndrome, caracterizada pela anormalidade do eixo endócrino da mulher. "Ela produz estrogênio, mas não tem ovulação e os folículos ficam parados", esclarece. Decorre daí o desenvolvimento de vários pequenos cistos nos ovários.

De acordo com o especialista, todo o conjunto de sintomas associados a essa síndrome está intimamente relacionado a um aumento da produção de hormônios androgênios (masculinos). Esses hormônios são produzidos em pequena quantidade por toda mulher durante o ciclo menstrual e têm papel fundamental no aumento da libido durante a fase ovulatória, período no qual ela precisa despertar o desejo para o encontro sexual.

"A medicina ainda não identificou o que causa essa anormalidade. Pesquisas recentes estudam inclusive se existem modificações genéticas envolvidas. Mas, por enquanto, não há nada de concreto", afirma.

Gonçalves explica também que a Síndrome dos Ovários Policísticos habitualmente se manifesta em mulheres mais jovens, logo após a primeira menstruação. Mas alerta que, apesar de não ser uma doença de fato, inspira cuidados, porque induz problemas bem mais sérios, como obesidade e diabetes.

Quem tem ovários policísticos, por não ovular com regularidade, pode ainda apresentar dificuldade em engravidar. Porém, a maioria das mulheres responde muito bem aos medicamentos indutores de ovulação. Eles são administrados por via oral e conseguem corrigir as anomalias endócrinas, permitindo que boa parte das mulheres engravide.

Para aquelas que, mesmo assim, não conseguem, existem outras táticas, como a fertilização in-vitro ou a cauterização laparoscópica. Este último é um procedimento cirúrgico no qual são feitas três pequenas incisões na parede abdominal para cauterizar os cistos. Com isso, muitas mulheres começam a menstruar regularmente até a menopausa.

É possível tratar

Gonçalves explica que é possível e bastante simples tratar a Síndrome dos Ovários Policísticos. São várias condutas disponíveis. Uma delas é o uso de substâncias antiandrogênicas que diminuem a produção em excesso desses hormônios masculinos. A pílula anticoncepcional é um exemplo.

Outra alternativa igualmente eficaz é o uso da metformina, um medicamento administrado originalmente para o tratamento do diabetes mas que apresenta bons resultados no controle dos ovários policísticos.

Por fim, o especialista recomenda a perda de peso como conduta essencial no tratamento. "Quando a mulher emagrece, seu organismo se equilibra como um todo, e a menstruação também começa a acontecer com mais regularidade", afirma.

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