Para fugir da nova gripe, grávidas ficam em casa

Para fugir da nova gripe, grávidas ficam em casa

Atualizado: Terça-feira, 4 Agosto de 2009 as 12

Depois de identificadas oficialmente como parte do grupo de risco, algumas grávidas têm tomado medidas de precaução para evitar o contágio pela nova gripe. É o caso da estudante de administração Juliana Mendes, 21 anos, que mora em São Paulo, está grávida de três meses e evita sair de casa. "Só vou à rua quando preciso mesmo, como para ir ao médico ou um compromisso que não posso adiar", disse ela ao G1.

O governo federal informa que quem tem pelo menos um fator de risco e tiver um caso grave da nova gripe tem 3,46 vezes mais risco de morrer em decorrência da doença do que uma pessoa sem problemas preexistentes.

Além das grávidas, fazem parte do grupo que recebe mais cuidados crianças com menos de dois anos, idosos e pessoas com doenças preexistentes, como diabéticos, obesos, pessoas em tratamento de câncer e Aids.

Apreensiva, Juliana, que mora com os pais, afirmou que os cuidados não terminam dentro de casa. "Meu pai é motorista de lotação e tem contato com muitas pessoas todos os dias. Na semana passada, ele apresentou alguns sintomas como febre e dor de garganta. Tenho insistido para ele usar um lenço no rosto ao espirrar e tossir."

Além de evitar aglomerações, a estudante tem tomado as precauções básicas como lavar sempre as mãos com água, sabão e álcool. "Só não uso máscara porque tenho lido que não é seguro. Nesta semana começam as minhas aulas na faculdade, mas ainda não sei se vou."  

Para o infectologista Jacyr Pasternak, do Hospital Israelita Albert Einstein, em São Paulo, a cautela tem justificativa. "As grávidas são de fato grupo de risco porque estão com a imunidade reduzida. Como ainda não há vacina para a nova gripe, que seria o ideal, a única forma de se prevenir é evitando aglomerações e espaços fechados", disse ele.

Silvana Cristina Pereira Miyamoto, 28 anos, que está no oitavo mês de gestação, também anda assustada com o aumento do número de caso da nova gripe em grávidas. "Estou evitando lugares com muita aglomeração, como shoppings e shows, por exemplo, e tenho lavado as mãos sempre", disse. Apesar do receio, a auxiliar de escritório, que mora em Bastos (SP), tem trabalhado normalmente.

A auxiliar contábil Tamiris Miotti, 21 anos, só sai de casa, também em São Paulo, para trabalhar. "Já estou prestes a ter o meu bebê, no oitavo mês de gestação, e os casos da nova gripe preocupam. Já teve uma menina com a minha idade que morreu e o bebê também, então eu evito qualquer tipo de aglomeração e só saio para trabalhar", afirmou.

Em sua primeira gravidez, ela conta que foi se informar por que as grávidas fazem parte do grupo de risco. "Ficamos com a imunidade mais baixa, então isso preocupa mesmo. Principalmente porque é meu primeiro filho, então fico mais insegura."

Reforço de higiene

O infectologista Orlando Jorge Gomes das Conceição, do Hospital São Luiz, em São Paulo, reforça a necessidade de evitar aglomerações e exposição desnecessária. "Aquela gestante que puder transitar menos, melhor, mas tudo dentro da normalidade. Não é preciso que se instaure um esquema de toque de recolher", afirmou.

Para Conceição, a melhor forma de evitar o contágio é redobrar a atenção com a higiene, principalmente das mãos. E vale lembrar que a máscara é recomendada apenas no caso de contato direto e próximo com alguém contaminado.

Em Passo Fundo (RS), no Hospital São Vicente de Paulo, que trata pacientes com a nova gripe, a preocupação causou o cancelamento do curso de gestantes marcado para agosto. Segundo a assessoria de imprensa, para evitar contato entre as grávidas, as futuras mamães terão que esperar mais um pouco para assistir às aulas sobre parto, cuidados com o bebê, nutrição e saúde do recém-nascido.

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