Pediatras dão dicas para evitar acidentes domésticos com crianças

Pediatras dão dicas para evitar acidentes domésticos com crianças

Atualizado: Sexta-feira, 2 Dezembro de 2011 as 2:36

Apesar de inevitáveis, acidentes podem ser prevenidos. Entre pediatras e especialistas da área de cuidados com as crianças, é senso comum que, se os responsáveis tivessem mais orientações ou tomassem mais cuidado com os ambientes em que as crianças permanecem, grande parte dos acidentes não aconteceria.

Com as férias chegando, a atenção deve ser redobrada. Com mais tempo livre para brincar, os acidentes acabam acontecendo com mais frequência. Segundo a pediatra Glaura Pedroso, chefe da disciplina Pediatria Geral e Comunitária da Unifesp, há risco toda vez que ocorrem mudanças na rotina das crianças e da família. “Os acidentes acontecem em qualquer ambiente, mas, em situações novas, eles tendem a aumentar."

Para diminuir os riscos, a principal dica da especialista é remanejar os ambientes. “Os pais ou cuidadores têm de ter em mente o que a criança é capaz de fazer naquele local. E, mesmo assim, é necessário supervisioná-la, porque ela pode aprender a tirar o protetor da tomada, por exemplo.”

O pediatra Marcelo Reibscheid explica que o ideal é tirar dos cômodos tudo que possa causar acidentes. “A partir do momento que há uma criança pequena na casa, é necessário fazer adaptações nos ambientes. O local tem de se adequar à criança e não o contrário. A casa passa não ser mais dos pais ou responsáveis, mas, sim, dos filhos.”

Como funcionam as crianças?

Segundo Reibscheid, quando muito pequenas, as crianças não têm noção alguma de perigo. “A sensação de medo aparece por volta dos cinco anos. Até então, ela pode repetir os mesmos erros, pois não pensa que se machucará de novo”, diz. Para o especialista, a fase mais crítica é a partir do momento que começam engatinhar, até por volta dos cinco anos.

“Antes das crianças engatinharem, os pais conseguem limitar os movimentos e os ambientes delas, pois sabem que permanecerão no local em que as deixaram. Depois disso, aumenta o espaço em que ficam e começam a explorar territórios que antes desconheciam”, diz Reibscheid.

A pediatra Glaura ainda explica que “a habilidade de explorar aparece antes de elas obterem noção das consequências”, por isso, as crianças acabam se expondo a situações de perigo. E por mais que os filhos aprendam por repetição, conforme a memória se desenvolve, a médica não recomenda o método de deixar eles se machucarem para aprender. “ Essa não é uma boa tática, pois pode causar sérias lesões.”

Métodos para evitar acidentes O pediatra Reibscheid explica que a melhor maneira de prevenir os acidentes domésticos com crianças, além de moldar o ambiente conforme o tamanho delas, é a conversa. “Precisa sentar e explicar. Mas, para isso, é necessário que a criança tenha entendimento um pouco maior. Esse tipo de conversa vai surtir efeito a partir dos cinco anos e não basta falar uma vez, tem de reforçar e não pode perder a paciência”, diz.

O médico ainda aconselha a manter as crianças bem longe da cozinha e da área de serviço, “as campeãs em incidência de acidentes”.  “Cozinha não é projetada para a criança, pois tem todos utensílios domésticos, forno, fogão, panelas... Já a área de serviço tem tanque, produtos de limpeza, ferro e tábua de passar e baldes, que são perigosos.”

Leia as dicas de Reibscheid para adaptar os ambientes da casa e torná-la mais segura para as crianças:

Área de serviço:

- Tanque: dê preferência para os de cerâmica ou de alumínio, que são mais leves. Veja se está bem preso à parede e nunca deixe uma criança se debruçar no tanque. Esse tipo de queda é comum, grave e com grandes chances de mortalidade.

- Baldes: deixe-os em local de difícil acesso, de preferência vazios e virados para baixo. Neles, as crianças podem ingerir produtos tóxicos ou se afogar.

- Produtos de limpeza: devem ser guardados sempre em seu frasco original, longe das crianças, em locais altos ou trancados.

- Tábua e ferro de passar: dê preferência às tábuas fixas. O ferro deve estar sempre desligado e longe das crianças. Quando estiver passando roupa, a criança não deve estar por perto.

Banheiro:

- Vaso sanitário: crianças de até três anos podem se afogar em vasos sanitários. Além disso, é tentadora a ideia de subir nos vasos para alcançar objetos que estão fora de seu alcance. Vale fiscalizar o momento em que elas estão no banheiro.

- Piso: a melhor opção é o azulejo, de fácil higienização e menor risco de escorregamento. Os tapetes de plástico com ventosas, que são fixados ao chão, são os mais seguros. Aposte nas fitas adesivas antiderrapantes, também.

Cozinha:

- Fogão: evite ao máximo utilizar as bocas da frente. Em relação às panelas, deixe o cabo sempre para dentro. O ideal é manter as crianças fora da cozinha mas, caso a criança esteja presente, deixa-a longe do forno.

- Pia: guarde os eletrodomésticos nos armários altos ou com travas nas portas. Aparelhos em cima da pia podem ser puxados pelas crianças e os fios podem despertar a curiosidade e causar acidentes fatais, como enforcamento.

- Escorredor de louças: o ideal é escorrer a louça enquanto está por perto. Assim que terminar de lavar, guarde os artigos no armário.

Sala:

- Aparelhos eletrônicos: TVs devem estar fixas à parede e DVDs, videocassetes e afins, ao móvel. Os televisores do tipo LED, por exemplo, são muitos leves e podem facilmente ser empurrados. A fiação dos eletrônicos também deve estar devidamente presa e protegida.

- Tomadas: os protetores de tomada são simples, com preços acessíveis e encontrados facilmente em comércios. Apesar de as crianças conseguirem retirá-los com a unha, a precaução diminui riscos de queimaduras e choques.

- Cortinas: a melhor cortina é a horizontal, que não chega à altura das crianças. Evite cortinas com puxadores e cordas, que podem causar enforcamentos.

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