Pesquisa avalia dentes para tentar mapear causas genéticas de doenças

Pesquisa avalia dentes para tentar mapear causas genéticas de doenças

Atualizado: Terça-feira, 18 Março de 2008 as 12

Os dentes podem fornecer informações-chave para a compreensão do autismo e das fissuras lábio-palatinas. Pesquisa desenvolvida no Instituto de Biociências (IB) da USP analisa células-tronco dos dentes de crianças autistas e fissuradas para tentar verificar os caminhos genéticos que levam à formação dos males. Os estudos, iniciados em março do ano passado, são pioneiros em escala mundial e contam com a participação de voluntários para que sejam impulsionados.

A base da pesquisa é a análise do RNA das células-tronco extraídas dos dentes. As células-tronco são aquelas que, por um processo denominado diferenciação celular, podem dar origem a diferentes tecidos do corpo humano. Na formação de um embrião, são responsáveis pela constituição dos tecidos que darão forma ao corpo.

Por isso que o foco das pesquisas está justamente nesse processo. No caso das fissuras lábio-palatinas, sabe-se que o mal se origina justamente na fase embrionária do ser; mas ainda não se conhece, com precisão, onde e como a má formação tem início. As pesquisas verificarão o comportamento das células-tronco, suas trocas de RNA, para a partir daí tentar descobrir em que situação a má formação aparece.

Já para o autismo os procedimentos se concentrarão na formação dos tecidos neuronais, que é onde, espera-se, começam as más formações que terão como conseqüência a manifestação da doença. Lembrando que tanto autismo quanto as fissuras lábio-palatinas são males de origem genética e ambiental; ou seja, a combinação gênica não é o único fator que determina o aparecimento das doenças. Mas sua compreensão teria implicações significativas para os tratamentos desenvolvidos pela ciência.

Processo natural

As células-tronco são encontradas em diferentes partes do corpo humano, como fígado, medula óssea e líquido amniótico. Então por que a pesquisa do IB tem como ponto de partida as células dos dentes?

"Porque isso torna o processo menos invasivo. Trocar a dentição é algo que acontece com todas as crianças, é um procedimento natural. E os dentes-de-leite são fontes ótimas de células-tronco", explica a professora Maria Rita dos Santos e Passos-Bueno, coordenadora do projeto.

Outra justificativa para o uso dos dentes-de-leite está na idade dos pacientes analisados. As células-tronco se encontram com maior abundância no cordão umbilical, e, para as pesquisas, seria até mais fácil obtê-las a partir dali. Mas a natureza das doenças analisadas explica a espera para a idade da troca natural da dentição, que ocorre, em média, entre os 5 e 10 anos.

O autismo é uma doença de caráter essencialmente psicológico. "Não há, no autismo, nenhuma manifestação física", explica a mestranda Karina Griesi Oliveira. Não se pode, portanto, diagnosticar o autismo em um recém-nascido. As lesões lábio-palatinas se manifestam de maneira visível, mas é preciso um diagnóstico adequado para que se saiba corretamente a que síndrome estão associadas.

Com a posse dos dentes, os pesquisadores submetem os materiais à fase de cultura ? quando estimulam as células a um desenvolvimento similar ao que ocorreria na natureza. E a observação do desenvolvimento é que dará as chaves para o andamento da pesquisa.

Contato

A equipe do IB que trabalha com o projeto conta com a doação de dentes de crianças com autismo e fissuras lábio-palatinas. Pais ou responsáveis dos pequenos devem entrar em contato com os pesquisadores para receberem as instruções da coleta. Além de contribuírem com o material, as crianças receberão consultas genéticas.

O telefone é (11) 3091-9910. Pais de pacientes com fissuras lábio-palatinas podem contatar a pesquisadora Daniela Bueno, no email [email protected] ; para os com autismo, o contato é a pesquisadora Karina Griesi Oliveira, no [email protected] .

Postado por: Claudia Moraes  

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