Pesquisadores frequentam cursos para escrever artigos científicos

Pesquisadores frequentam cursos para escrever artigos científicos

Atualizado: Terça-feira, 1 Novembro de 2011 as 9:40

Os cursos, na maioria das vezes, partem das próprias editoras de revistas científicas, interessadas em receber textos de melhor qualidade.

Isso diminuiria o trabalho e o tempo entre o artigo recebido e o publicado (o que pode levar de meses a anos). Já as universidades têm interesse nos cursos para melhorar seus indicadores. Quanto mais artigos emplacados em revistas de alto impacto (amplamente citadas por outros pesquisadores), melhor a instituição aparece nos rankings universitários internacionais.

A Folha acompanhou um dos cursos, ministrado recentemente pela editora científica Springer, na Unesp (Universidade Estadual Paulista), para 80 membros de comissões de pesquisa e de programas de pós-graduação.

EM TÓPICOS

Entre os temas ensinados, há desde "faça títulos curtos" a "escreva seu artigo científico como se estivesse contando uma história a alguém".

"Mesmo quando você escreve sobre algo complicado, deve torná-lo o mais simples possível para que o maior número de pessoas entenda", ensina Warren Raye, da Springer, no curso na Unesp.

Raye também discorreu sobre como escolher um periódico para publicar um artigo, sugeriu maneiras de responder a um parecer (quando o artigo é devolvido pela revista científica) e passou um bloco inteiro falando sobre ética nas publicações científicas. "Não faça múltiplas submissões de artigos nem plágios e não falsifique ou fabrique dados", ensinou Raye.

O curso da Springer foi ministrado para plateias lotadas também em instituições como USP, Unicamp (Universidade Estadual de Campinas) e UFRJ (Universidade Federal do Rio de Janeiro).

O interesse dos cientistas por esse tipo de oficina é compreensível. "Os pesquisadores nunca foram ensinados a escrever de maneira técnica, muito menos em inglês", explica a bióloga e ex-editora da "Science" Márcia Elblink.

Ela é uma das fundadoras da empresa Publicase, que, segundo ela, é a primeira especialista em treinar cientistas para escreverem dissertações, teses e artigos no país.

A empresa surgiu em 2007, época em que o país "acordou" para a necessidade de aumentar a publicação de artigos na academia.

COBRANÇA

"Realmente não temos um treinamento específico na universidade e somos cobrados para publicar", analisa a veterinária Flávia Verechia Pereira, da Unesp. Ela participou do curso da Springer e disse que "gostou muito".

Para Elblink, da Publicase, a falta de capacitação na redação científica não é um problema apenas do Brasil. "Mas as universidades de ponta do mundo têm centros para ajudar os autores e tirar dúvidas", diz a especialista.

Hoje, a demanda de universidades, de hospitais privados e de empresas pelos cursos de redação científica é tanta que a agenda de 2011 da Publicase fechou em maio.

Uma semana de treinamento intensivo (40 horas) sobre "como escrever um artigo para uma revista de alto impacto", por exemplo, sai por R$ 12 mil por pessoa. Mas há cursos mais curtos.

"Escrever um artigo é uma questão de treino. Como correr uma maratona", completa Andrea Kaufmann-Zeh, que também é da empresa.

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