Pó de sementes de árvore ajuda a prevenir cólera no Zimbábue

Pó de sementes de árvore ajuda a prevenir cólera no Zimbábue

Atualizado: Quarta-feira, 7 Outubro de 2009 as 12

Diante da crescente ameaça de uma nova epidemia de cólera no Zimbábue, pesquisadores locais usam o pó obtido das sementes da árvore moringa para conseguir água potável e prevenir a doença.

Especialistas da Universidade de Ciências e Tecnologia de Bulawayo, no sul do Zimbábue, contaram à Agência Efe que o pó das sementes de moringa pode eliminar 90% das bactérias nocivas das pequenas represas rurais, possibilitando que essa água seja usada para consumo humano.

A ONU (Organização das Nações Unidas) diz que mais de 6 milhões de zimbabuanos - metade da população do país - não têm acesso ou têm acesso limitado a fontes de água com certas garantias de saúde.

As agências internacionais de assistência se preparam para outra possível epidemia de cólera. Entre agosto de 2008 e julho deste ano, cerca de 4 mil pessoas morreram e mais de 100 mil foram afetadas pela epidemia de cólera que atingiu o Zimbábue, agravada pela situação do sistema de saúde local, praticamente inoperante após dez anos de crise no país.

Agora, os cientistas de Bulawayo, junto com pesquisadores de outras partes da África, testam as quantidades de pó de semente de moringa necessárias para conseguir água potável e com sabor aceitável. O pesquisador Karl Riber disse que serão feitos testes nas comunidades.

''Vamos nos dedicar a testes realizados pelas comunidades para ver se as pessoas podem realmente usar este pó para seu benefício''.

A moringa é largamente cultivada pelas comunidades rurais zimbabuanas, que comem suas folhas verdes cruas ou cozidas e usam o pó das folhas secas para estimular o sistema imunológico, mas o efeito do pó das sementes para deixar a água própria para consumo não foi suficientemente estudado.

Os pesquisadores descobriram que, se o pó de sementes de moringa fica na água por muito tempo, o nível de bactérias aumenta novamente. Por isso, Riber disse que a principal preocupação é que as pessoas o utilizem adequadamente.

O processo atual é simples: as sementes são extraídas e moídas; depois, o pó é misturado com a água e um pano é usado como filtro antes de usá-la. No entanto, Riber insistiu em que são necessárias amostras de diferentes locais para haver a certeza de que funciona. As pesquisas continuam com o apoio do Departamento de Desenvolvimento Internacional do Reino Unido.

Ellen Mangore, pesquisadora da universidade de Bulawayo, que pesquisa o pó de sementes de moringa desde 2007, falou sobre a comercialização do pó das sementes.

''Poderíamos comercializá-lo muito em breve caso os testes de laboratório que estamos fazendo nos demonstrem que é completamente seguro''.

Mangore também insistiu na necessidade de mais testes para evitar efeitos colaterais ou nocivos.

Após dez anos de crise econômica e política, o Zimbábue se encontra em uma situação sem precedentes, com a maior parte do sistema produtivo do país destruído, e há escassez de alimentos e de bens básicos. Os serviços públicos, como saúde e educação, estão jogados às traças.

As organizações internacionais de assistência instalaram em diversos pontos do país sistemas de filtragem de água para que centenas de milhares de pessoas tenham acesso a ela. A facilidade de acesso à moringa para muitas comunidades pode ser uma solução para os que não conseguem chegar à água limpa.

Efe Riber se mostrou confiante no sistema principalmente para as comunidades rurais do Zimbábue, as mais vulneráveis do país.

''Achamos que é preciso dar uma oportunidade a este sistema, porque achamos que pode funcionar''.

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