Poluição do ar de SP facilita entupimento das artérias

Poluição do ar de SP facilita entupimento das artérias

Atualizado: Quarta-feira, 2 Dezembro de 2009 as 12

Uma pesquisa da Faculdade de Medicina da USP (Universidade de São Paulo) mostrou que a poluição do ar da cidade de São Paulo altera o colesterol do sangue, o que aumenta a placa de gordura dos vasos, conhecida como aterosclerose.

A deposição da placa de gordura nas artérias pode aumentar as chances de sofrer um infarto e derrames cerebrais. As informações foram publicadas na agência USP de notícias.

Isso porque o ar de São Paulo possui partículas que, ao serem inspiradas, penetram na corrente sanguínea e alteram a molécula do LDL (lipoproteína de baixa densidade - conhecida como colesterol "ruim").

Com isso, a molécula adquire mais facilidade para formar camadas de gordura e engrossar a parede do vaso.

Os resultados são da tese de doutorado da biomédica Sandra Regina Castro Soares que comparou grupos de camundongos com excesso de colesterol, que viviam em câmaras no jardim da FMUSP, perto de uma avenida movimentada de São Paulo. Em uma das câmaras os camundongos respiravam o ar filtrado. Em outra, respiravam os mesmos poluentes que os pedestres.

Sandra expôs à poluição os animais desde o nascimento até os quatro meses, o equivalente a cerca de 40 anos em seres humanos. A ideia era simular as condições de pessoas que respiram poluição desde o nascimento e apresentam infarto no coração na meia idade. Camundongos que respiravam ar poluído tinham as paredes das artérias mais espessas. O sangue deles também continha mais LDL alterado e anticorpos que indicam um maior risco de infarto.

A poluição de São Paulo está dentro dos limites de qualidade do ar estabelecidos pela OMS (Organização Mundial da Saúde) - 50 microgramas de partículas suspensas por metro cúbico de ar. Cerca de 80% dos poluentes têm origem veicular.

Diferenças entre homens e camundongos traz ressalvas

A placa de gordura começa a se formar quando o LDL penetra na parede das artérias ( vasos que levam o sangue do coração para o resto do corpo). A poluição altera o colesterol facilitando o seu depósito na parede dos vasos e atraindo células de defesa do organismo no local, que por sua vez atrai mais colesterol. O círculo vicioso, agravado pela ação dos poluentes, engrossa cada vez mais a parede das artérias.

O endotélio, camada do vaso que entra em contato com o sangue, adoece com a inflamação e pode se romper. Quando isso acontece, o sangue coagula. Como consequência, as partes do corpo irrigadas pela artéria morrem - o que os médicos chamam de infarto.

Lucia Garcia, orientadora de Sandra, explica que a comparação tem suas ressalvas, já que camundongos são diferentes de humanos. Mas estudos em animais servem para esclarecer porque pessoas que moram em cidades grandes e poluídas têm mais infartos que os moradores de pequenas cidades. "O camundongo é um mamífero que respira pela boca e nariz, como os seres humanos. Eles nos ajudam a estudar o coração e os vasos alterados pela poluição em uma mostra mais homogênea - com menos fatores de confusão como alimentação, cultura e raças diferentes. Esses parâmetros são mais difíceis de serem obtidos em humanos".

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