Pratique 8 dicas para não perder a memória

Pratique 8 dicas para não perder a memória

Atualizado: Quinta-feira, 21 Janeiro de 2010 as 12

Você vive se perguntando se trancou o carro ou não? Já perdeu a conta de quantos guarda-chuvas comprou no último mês? Esqueceu completamente o nome daquele diretor de cinema que adora? Pois saiba que os famosos "brancos" não escolhem idade ou sexo na hora de atacar. "Embora, com o envelhecimento, a memória fique naturalmente mais lenta, é cada vez maior o número de jovens e adultos que se queixam de certa dificuldade para relembrar fatos. Isso porque a nossa memória, hoje em dia, é mais exigida, já que temos múltiplas atividades", disse o chefe do Setor de Neurologia do Comportamento da Unifesp (Universidade Federal de São Paulo), Paulo Bertolucci, coordenador do Instituto da Memória (IMemória).

Em outras palavras, a culpa por tantas falhas no nosso arquivo de dados é o estilo de vida moderno. Como temos acesso a muitas informações e somos obrigados a desempenhar diversas tarefas ao mesmo tempo, não conseguimos dar a atenção necessária a cada uma delas. Assim, o processo de memorização fica prejudicado logo no início, por causa da sobrecarga.

Para entender melhor por que esses lapsos acontecem, vale saber mais sobre o funcionamento do nosso mecanismo de lembranças. "A memória se desenvolve em três estágios, começando pela codificação, que é o processo de atribuir um significado ao que se está vendo, ouvindo ou de alguma forma vivenciando, para, depois, relacionar isso com experiências prévias. Num segundo momento, ocorre o armazenamento, que é um processo não consciente de reensaiar a informação, para que se estabeleça um traço de memória no cérebro. Por último, acontece a recuperação, que é o acesso à informação guardada na mente, quando esse resgate se faz necessário", afirmou o neurologista.

Felizmente, existem maneiras de melhorar o armazenamento de dados em nosso cérebro, tornando mais eficiente todo o esquema de processamento de informações. Confira as orientações do especialista:

1 - Adotar bons hábitos alimentares, no dia-a-dia, é um dos cuidados que faz toda a diferença. Isso porque doenças como pressão alta, diabetes e alterações do colesterol oferecem um grande risco às estruturas cerebrais, fundamentais para o bom funcionamento da memória. "Os cuidados na dieta devem estar orientados no sentido de prevenir e/ou controlar problemas desse tipo, que, evoluindo, podem levar a lesões cerebrais importantes", disse o especialista. Bertolucci também recomenda a ingestão de alimentos ricos em ômega 3, como o salmão. "Eles funcionam como antioxidantes e, portanto, reduzem as taxas de lesões de neurônios", afirmou.

2 - Fazer exercícios físicos regularmente também é uma medida para combater os esquecimentos que atrapalham a rotina. Além de ajudar a prevenir as complicações decorrentes da obesidade e os males diretamente relacionados a ela - entre eles o AVC -, a atividade melhora a circulação cerebral e ainda inibe a deposição de uma proteína que caracteriza o aparecimento do mal de Alzheimer.

3 - Investir em atividades intelectuais variadas, por outro lado, é uma maneira de exercitar a mente. Ler, ir ao cinema, aprender a tocar um instrumento são alguns exemplos de atitudes que ajudam a manter a memória na mais perfeita forma. "As atividades intelectuais permitem estabelecer uma melhor reserva cognitiva, pois provocam uma maior concentração de sinapses, de ligações entre os neurônios no cérebro", disse Bertolucci.

4 - Apostar no convívio social também pode ser um excelente remédio para quem anda mais do que esquecido. "Pessoas que estão interessadas em tudo o que acontece ao seu redor, que trocam informações e estão abertas para o novo, são, em geral, as que possuem uma memória melhor", afirmou. A interação pressupõe disponibilizar certo tempo para estar em contato com amigos e familiares.

5 - Dormir as horas suficientes para sentir-se realmente descansado é outro bom hábito que ajuda a preservar as recordações. Afinal, enquanto descansamos, o cérebro continua trabalhando, inclusive, para dar conta de consolidar a memória, armazenando as informações recebidas ao longo do dia.

6 - Controlar o estresse também significa interferir positivamente no processo de memorização, melhorando a atenção, que é um pré-requisito para o armazenamento de dados em nossa mente. Investir em atividades de lazer e em exercícios de relaxamento podem ser, portanto, alternativas para blindar-se contra as preocupações exageradas e o nervosismo que desestabilizam corpo e mente.

7 - Memorizar mais, em situações da rotina, pode ser uma estratégia para treinar o cérebro, aumentando sua eficiência. Tente se lembrar dos números de telefone que costuma discar, do que precisa comprar na feira, dos nomes dos principais personagens daquele livro que acabou de ler. Outra maneira de desafiar a mente é adotar passatempos como o xadrez e as palavras-cruzadas. Porém, não basta realizar as duas atividades de forma mecânica. O interessante é tentar memorizar as jogadas do adversário ou as novas palavras que aprende.

8 - Evitar alguns medicamentos pode ser outra saída para os impasses em relação ao armazenamento de dados importantes. "Tranquilizantes, hipnóticos e alguns antidepressivos podem interferir na atenção, prejudicando, portanto, a memória", disse o neurologista. Quem toma remédios desse tipo e está notando dificuldades de memorização, pode até conversar com o médico que o acompanha, investigando a possibilidade de trocar o medicamento de uso contínuo por outro similar, mas que não apresente o efeito adverso.

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