Previna-se contra Hepatite A na época das enchentes

Previna-se contra Hepatite A na época das enchentes

Atualizado: Sexta-feira, 1 Fevereiro de 2008 as 12

O verão traz as chuvas intensas, que causam o transbordamento de rios e córregos, cujas águas inundam ruas e casas de várias cidades brasileiras. Como boa parte dos rios recebem esgoto, as vítimas das enchentes correm o risco de contrair doenças como a hepatite A, inflamação no fígado, que é transmitida pela ingestão de água e alimentos contaminados pelas fezes de uma pessoa doente.

"O contágio pode ocorrer se a pessoa colocar a mão na água contaminada pelo vírus e colocar mão na boca", adverte o médico Marco Aurélio Sáfadi, professor-assistente de Infectologia Pediátrica da Faculdade de Medicina da Santa Casa.

Ao contrário da leptospirose, doença comum nas inundações, a hepatite A pode ser prevenida por vacina. A proteção é importante porque o vírus transmissor da doença é muito resistente. E, mesmo depois da casa limpa, pode sobreviver por um longo período em objetos, líquidos e alimentos como pães e bolachas (30 dias), água mineral conservada a 20o C (89 dias) e frutas congeladas a 30o negativos (300 dias).

A nutricionista Wanessa Quintino dos Santos aconselha às pessoas que tiveram suas casas invadidas pelas enchentes a jogar fora todos os alimentos, exceto os enlatados, que devem ser fervidos antes de abertos para consumo. "Além do cuidado com os alimentos, é preciso limpar o chão da cozinha e lavar todos os utensílios domésticos, inclusive submetendo os talheres à fervura", adverte.

Marco Aurélio Sáfadi aconselha as pessoas a ficarem atentas quando a inundação atingiu locais onde são vendidos produtos hortifrutigranjeiros. "Neste caso, as pessoas devem consumir alimentos crus adquiridos apenas em fornecedores de confiança", explica o médico.

As crianças que ficam muito tempo expostas às águas das enchentes também podem ser fonte de contágio. "Passada a inundação, algumas crianças acabam brincando em poças d?água e na terra que foram contaminadas pelo esgoto. Como até os cinco anos, boa parte das crianças contrai o vírus da hepatite A sem desenvolver a doença, elas podem contaminar os adultos sem que a família perceba", afirma a pediatra Isabela Ballalai, vice-presidente da SBIM ? Sociedade Brasileira de Imunizações.

A partir dos seis anos, 70% dos infectados têm sintomas. Entre 10 a 20% dos casos demandam internações por conta de complicações como mal-estar e desidratação. A doença pode ainda causar a morte por falência do fígado. É a hepatite fulminante que leva ao óbito 2% de adultos acima de 40 anos e de 0,1% abaixo desta idade. A morte é evitada pelo transplante do fígado.

Mesmo antes de saber que está doente, a pessoa infectada começa a disseminar o vírus da hepatite A. Sintomas como a coloração amarelada dos olhos e da pele (icterícia), febre, náuseas e vômitos só aparecem 30 dias após o contato com o vírus. Entretanto, o contágio começa 15 dias antes do surgimento dos sintomas.

Hepatite A

De acordo com o Datasus, a hepatite A matou 115 pessoas nos últimos cinco anos. A doença ocorre principalmente em locais com problemas de saneamento básico, porque a transmissão é fecal-oral. Nesses locais, a maior parte das pessoas entra em contato com o vírus na primeira infância, desenvolvendo anticorpos contra a doença mais cedo, numa espécie de vacina natural.

Com a recente melhoria dos sistemas de saneamento básico nas principais cidades brasileiras, crianças com boas condições sociais vêm crescendo sem entrar em contato com o vírus. O contato pode ocorrer da adolescência até a terceira idade, quando a doença se manifesta de forma mais grave.

Estudo epidemiológico coordenado pelas professoras da Universidade Federal do Paraná, Eliane Maluf e Cristina Cruz, mostra que a melhoria da qualidade de vida da população usuária do Sistema Único de Saúde (SUS) diminuiu a ocorrência da doença na população entre 0 a 14 anos. "A pesquisa realizada com 901 crianças e adolescentes de Curitiba e Região Metropolitana revela que as crianças estão chegando à fase adulta sem terem contato com a doença", relata Cristina Cruz, presidente do Comitê de Infectologia Pediátrica da Sociedade Paranaense de Pediatria.

Vacina

Conhecida internacionalmente como Avaxim 80 U, a vacina pediátrica é indicada para crianças de um a 15 anos. Ela é aplicada a partir dos 12 meses, com reforço a ser administrados após seis a 12 meses. Para os maiores de 15 anos, existe a vacina internacionalmente conhecida por Avaxim 160U, administrada também em duas doses com intervalo de 6 a 12 meses entre elas. A vacina é segura e eficaz, com incidência de reações muito baixas.

De acordo com a gerente-médica da Sanofi Pasteur, Lucia Bricks, a vacinação deve ocorrer o mais precocemente possível, justamente para evitar a incidência na doença a partir da adolescência, quando o aparecimento de sintomas clássicos e complicações são mais comum e a recuperação mais demorada. A vacina é recomendada pela Sociedade Brasileira de Pediatria para crianças a partir de um ano de idade.

Postado por: Claudia Moraes

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