Primeiro ano de vida tem sabor de leite materno

Primeiro ano de vida tem sabor de leite materno

Atualizado: Terça-feira, 2 Fevereiro de 2010 as 12

O consenso entre os especialistas não é nenhuma novidade: o leite materno é a melhor e mais completa alimentação para os pequenos. Seus valores nutricionais fazem com que ele seja indicado pela Organização Mundial de Saúde como o único alimento para crianças de até seis meses e, aliado a outros, até dois anos ou mais.

A notoriedade não é à toa. O leite materno é fundamental, principalmente nos primeiros dias de vida, já que o colostro (líquido secretado pela mama nos dias posteriores ao parto) contém um alto teor de proteínas e apresenta menos açúcar e gordura, se comparado com o leite que a mãe oferece depois desse período. O colostro soma ainda, outras vantagens. Além de ser rico em anticorpos, deixando o recém-nascido livre das infecções, tem efeito laxativo, que ativa o funcionamento do intestino da criança.

O leite posterior ao colostro também não deixa a desejar e, como apontado pela OMS, dispõe de todos os nutrientes que um bebê precisa nos seis primeiros meses. Sem contar que é um alimento de fácil digestão. Aolado dele, alguns pediatras recomendam suplementos de flúor e vitamina D a partir do quarto mês, para ajudar na absorção do cálcio. Banhos de sol no início da manhã ou no final da tarde também cumprem a função.

Embora o leite materno não ofereça doses significativas de ferro, os especialistas consideram a complementação desnecessária. Isso porque bebês nascidos depois de nove meses completos, com mães não-anêmicas e preocupadas com o cardápio durante a gestação, têm reservas suficientes do mineral até ingressarem em uma alimentação enriquecida

O funcionamento do intestino é um sinal de alerta para as mamães que ficam na dúvida se o filho está recebendo a quantidade adequada de comida.

Os bebês mamam, em média, a cada duas ou quatro horas no primeiro mês de vida. Isso resulta em seis fraldas encharcadas de urina e, no mínimo, duas evacuações por dia. Como algumas crianças são bastante sonolentas, acabam se desinteressando pela comida. Se o bebê não mama de seis a doze vezes diárias, não é preciso ter receio de acordá-lo e estimulá-lo a mamar.

Quando a criança passa a procurar o peito com mais freqüência e mama além do normal é indício de que a alimentação está andando nos trilhos. As atitudes são típicas do período de crescimento e fazem com que a mãe produza mais leite naturalmente. (Estimule a produção de leite)  

Amamentação artificial

Apesar das incontestáveis vantagens do leite materno, algumas mães ainda recorrem às mamadeiras, por diferentes motivos. O fato é que as fórmulas industrializadas da alimentação láctea infantil são capazes de suprir as necessidades nutricionais dos bebês, se usadas conforme as recomendações especificadas nos rótulos destes alimentos.

Vale ressaltar, no entanto, que crianças com menos de um ano não devem consumir leite de vaca. A bebida, além de ser de difícil digestão, pode causar reações alérgicas nos pequenos. Por isso as fórmulas voltadas para o público infantil trazem em sua composição, o leite de vaca adaptado. Mesmo assim, alguns bebês são intolerantes e as mães precisam recorrer às fórmulas de arroz e soja.

Sinais comuns de intolerância são manchas na pele, diarréia e inquietação, casos em que um especialista deve ser consultado. Mamães que não oferecem o leite materno aos filhos precisam contar com as mamadeiras e ficar atentas ao ritual que envolve a amamentação artificial. Alguns tipos de leite infantis vêm pré-misturados e podem ser utilizados da forma como são comprados.

Outros são encontrados em pó e devem ser preparados com água fervida ou filtrada. Os compostos que já vêm misturados precisam ficar na geladeira depois de abertos até, no máximo, 24 horas. E nada de reaproveitar os restos deixados na mamadeira. Eles podem ocasionar alguma contaminação por microorganismos.

Hora da papinha

Apesar do desenvolvimento dos bebês ser bem variável, o momento para começar a ingerir alimentos sólidos costuma ser a partir do quarto mês de vida. Inserir purês, papas, chás ou água no cardápio da criança que ainda não atingiu essa idade não é recomendável, pois o sistema digestivo ainda não está preparado para tais alimentos.

Sem contar que reforçar a dieta antes da hora pode aumentar o risco de desenvolvimento de alergias alimentares. Uma criança amamentada com leite materno pode prorrogar a entrada de novos alimentos no cardápio até o sexto mês.

Depois disso, as refeições precisam ser complementadas com outros alimentos, que vão garantir a variedade de nutrientes necessária para o crescimento.

Os participantes dos primeiros pratos do bebê precisam ser alimentos de fácil digestão e que apresentem baixa probabilidade de causar alergias.

O cardápio do bebê, por exemplo, deve passar longe dos derivados do trigo, frutos silvestres, espinafre, clara de ovo e peixes, alimentos com grande potencial para desenvolvimento de alergias. Manchas na pele, inquietação, diarréia são sinais de reação alérgica ou intolerância alimentar. Nestes casos, um especialista precisa ser consultado e o alimento deve ser excluído da dieta.

Na fase de transição em que a oferta de leite materno diminui e novos alimentos são introduzidos no menu da criança, a alimentação precisa fornecer a quantidade adequada de energia para que os nutrientes sejam absorvidos e utilizados para o desenvolvimento. Os alimentos devem ser oferecidos três vezes ao dia para crianças que ainda estão sendo amamentadas. Já os bebês que foram desmamados, precisam ser alimentados cinco vezes ao dia.

Para que os pequenos não tenham dificuldade na hora de ingerir as refeições, a comida deve ter uma textura parecida com a de um purê. A papa salgada deve ser composta por um cereal (arroz, aveia, milho) ou tubérculo (mandioca, batata, inhame), uma fonte de proteínas (carne, feijão, lentilha, ervilha) e uma verdura ou legume. O óleo vegetal pode ser usado na preparação dos pratos, já que também ajuda a suprir a necessidade energética das crianças.  

É importante lembrar que alguns alimentos salgados, em especial legumes e verduras, podem ser rejeitados pelos bebês. Mas isso não significa que eles devem ser excluídos do cardápio. Para a boa aceitação de novos ingredientes no menu, os alimentos precisam ser oferecidos de oito a dez vezes, sem forçar a ingestão. Isso facilita a adaptação do paladar a diversos sabores e texturas.  

Maçã, pêra, pêssego ou banana amassada são mais exemplos de alimentos que podem ser oferecidos às crianças com mais de seis meses. Porém, inserir os legumes no cardápio antes das frutas é mais aconselhável, pois a criança pode se acostumar com o sabor doce delas e recusar os legumes de sabor salgado. Os sucos de frutas são mais aliados no período de desmame.

Eles devem ser oferecidos nos intervalos das papas e dos purês, em pequena quantidade, respeitando a aceitação da criança. Como as frutas contêm açúcar natural, a frutoses, outra recomendação é que os sucos não sejam adoçados com açúcar ou mel. Além dos adoçantes serem desnecessários, eles ainda podem desestimular a criança a ingerir o leite materno, durante a fase de transição.

Potinhos de papinhas e sopinhas prontas voltados para bebês com mais de seis meses são bastante conhecidos e usados por muitas mamães.

No entanto, os alimentos industrializados devem fazer parte do cardápio somente em ocasiões especiais, em que a mãe não consegue preparar a refeição. Isso porque algumas comidas prontas contêm sal e açúcar em sua composição. Tais ingredientes não devem ser incluídos na alimentação das crianças que ainda não completaram um ano de vida e devem ser evitados durante o segundo ano.  

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