Problemas familiares podem causar obesidade masculina, diz pesquisa

Problemas familiares podem causar obesidade masculina, diz pesquisa

Atualizado: Quarta-feira, 13 Janeiro de 2010 as 12

No title Uma pesquisa do Instituto de Psicologia da USP (Universidade de São Paulo) demonstrou que a dificuldade em lidar com problemas familiares pode ser um fator de aumento de peso e surgimento da obesidade entre homens.

De acordo com a psicóloga, Simone Conejo, autora da pesquisa, o aumento da responsabilidade na vida adulta configurou-se como um ponto de convergência entre questões da masculinidade e da obesidade.

- Há uma dificuldade em lidar com as expectativas, que ainda aparece ligada ao papel idealizado do homem como provedor da família, ressalta.

A dificuldade de expor fraquezas também podem ser fatores que desencadeiam a obesidade.

- Muitos homens têm dificuldades em se comunicar, falar com os outros e até consigo mesmo, sentindo-se sem apoio para lidar com as dificuldades da vida.

Essa dificuldade de comunicação muitas vezes se estende às relações familiares.

- Isso é marcado por uma sensação de ‘estar só’, de afastamento e dificuldade de lidar com emoções. Assim, quanto mais a responsabilidade é percebida como um fardo, sem uma estrutura interior capaz de lidar com essa mudança, mais aumenta a tendência de obesidade, afirma.

Casamento

No entanto, a pesquisa mostrou que não existe relação direta entre obesidade e o fato do homem ser casado. A psicóloga explica que existem fatores no campo emocional que interferem de modo muito mais significativo no aumento de peso e no surgimento da obesidade.

- Alguns participantes da pesquisa só ganharam peso muito depois do casamento, ou depois da ruptura de relacionamentos importantes, explica Simone.

Entre os pacientes que têm apenas sobrepeso, a pesquisa mostrou que os homens se relacionavam melhor com as próprias emoções. “São pessoas que sabem lidar melhor com a angústia, a frustração e as dificuldades, sem usarem a comida como compensação”, destaca a psicóloga.

Na pesquisa, a obesidade mostrou-se mais presente entre pacientes que apresentavam um histórico de doenças associadas a dificuldades emocionais.

- Estar atento às necessidades afetivas durante o desenvolvimento infantil pode funcionar como fator de prevenção da obesidade e de melhoria de qualidade de vida.

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