Problemas vocais e estresse prejudicam desempenho de professores

Problemas vocais e estresse prejudicam desempenho de professores

Atualizado: Terça-feira, 4 Março de 2008 as 12

Falar horas seguidas, trabalhar em pé e ter "jogo de cintura" para lidar com alunos são alguns dos desafios diários dos professores. Para não deixar que problemas de saúde comprometam o trabalho, esses profissionais devem ter atenção especial com sua saúde física e psicológica.

Umas das principais queixas de saúde dos professores são os problemas vocais. Os mais comuns são a rouquidão e as perdas de voz, que podem ser causadas pelo uso inadequado e excessivo da voz ou podem indicar a presença de nódulos ou pólipos vocais. "A voz é o instrumento de trabalho dos professores. Por isso, sempre que perceberem alguma alteração, devem procurar um especialista para identificar a causa do problema e indicar o melhor tratamento," observa a fonoaudióloga do Hospital Iguaçu, Dra. Ana Paula Kochen.

Entre as recomendações para manter uma voz saudável estão: evitar o cigarro, que irrita a mucosa e o trato vocal; não consumir bebidas alcoólicas, pois o álcool produz efeito anestésico que mascara a dor de garganta conseqüente do esforço vocal; além de evitar ambientes com ar condicionado, que podem causar ressecamento da mucosa vocal. "É fundamental também a ingestão de líquidos. Isso irá aumentar a hidratação laríngea, facilitando a expressão oral", ressalta.

Outro problema bastante comum no meio educacional é o estresse. Considerado um dos maiores inimigos dos trabalhadores, atinge cerca de 70% das pessoas economicamente ativas no Brasil, de acordo com a ISMA (International Stress Management Association). Para os professores o excesso de carga horária, o relacionamento com os alunos e a falta de condições ergonômicas são alguns dos fatores que podem desencadear o problema. Ficar atento aos sintomas como tensão, mal estar, falhas de memória, irritação, falta de sono e dificuldade de concentração, é o primeiro passo para detectar o estresse.

Identificado o problema, deve-se buscar meios para controlá-lo, incluindo atividades prazerosas durante o dia e aprendendo a lidar com as situações que causam esse estresse. "Isso pode ser feito mantendo uma vida equilibrada, com a prática de exercícios físicos, ingestão de alimentos saudáveis e mantendo uma vida social ativa", reforça o psicólogo do Instituto Vitalis, Marco Aurélio Varassin Hernandes. Além disso, é importante também reduzir o uso de falsos redutores do estresse como o álcool, a cafeína e a nicotina.

Uma das principais chaves para o autocontrole é a respiração. "Um conselho para os professores é praticar - sempre antes de começar uma aula - a chamada respiração diafragmática ?visualizando? o ar entrando pelas narinas e chegando aos pulmões, segurando por dois segundos e depois expirando lentamente", ensina o especialista.

Ombros e postura

Postura incorreta e movimentos repetitivos - como apagar a lousa e manter o braço acima do ombro para escrever - podem estar relacionados a lesões como bursites, tendinites, lombalgias, cervicalgias e cervicobraquialgias.

Para evitar esses problemas os professores devem alternar suas posturas durante o trabalho, caminhando na sala e sentando quando possível. "É importante realizar pausas e aproveitar para alongar. Isso irá melhorar a circulação das áreas periféricas (pernas e pés). O alongamento produz um estado de relaxamento que ajuda a diminuir a tensão muscular, que é aumentada com a ansiedade, o estresse e a depressão", complementa a Dra. Ana Paula Kureski Piccoli, fisioterapeuta do Sefit (Serviço de Fisioterapia do Trabalho).

 

Postado por: Claudia Moraes

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