Protetores bucais: como tornar a prática esportiva mais segura para atletas, associados de academias e alunos?

Protetores bucais: como tornar a prática esportiva mais segura para atletas, associados de academias e alunos?

Atualizado: Segunda-feira, 4 Maio de 2009 as 12

Neste ano, o Brasil ficou conhecendo Neymar, o jogador-menino santista, que é um brilhante profissional e encanta pelo seu futebol. Mas o que nem Neymar conseguia imaginar é que, neste ano, além da fama, ele também enfrentaria problemas com a prática esportiva e o uso do aparelho ortodôntico. E problemas sérios. Em março, enquanto jogava contra o Rio Branco, o atleta levou duas cotoveladas repetidas na boca que provocaram lesões graves. Segundo informações de Carlos Braga, médico que atende o time santista, "ao término desta partida, Neymar deixou o campo com um corte na boca e teve parte do aparelho nos dentes quebrado em virtude das cotoveladas dos adversários. Foi um horror o que vimos, eu nunca tinha visto isto antes. Uma das argolinhas do aparelho se enfiou na mucosa da boca dele, como se fosse um anzol. E não saía de jeito nenhum. Precisei anestesiar para tirar o pedaço do aparelho. Para evitar maiores danos, ele jogará, de agora em diante, com um protetor", anunciou o médico à imprensa.

A falta de acompanhamento odontológico durante a preparação de atletas brasileiros é fato corriqueiro, mesmo com estrelas do primeiro time, como o jogador de futebol Neymar. "São raras as vezes em que os jornalistas conseguem noticiar o acompanhamento odontológico que um atleta recebe, preventivamente. A última notícia que li neste sentido é de 1958, quando a seleção brasileira contou com o dentista Mário Trigo, um pioneiro da Odontologia do Esporte, como membro de sua comissão técnica. Mário foi dentista da seleção brasileira de futebol nas Copas de 1958, 62 e 66. Atendeu a atletas de diversas seleções até a Copa de 78", relembra o Prof° Dr. Alênio Calil Mathias, membro do conselho diretivo do CETAO, Instituição de Ensino Superior - Extensão e Pós-Graduação em Odontologia.

De 1958 para cá, muita coisa mudou na prática esportiva e na odontológica. Por exigir mais do seu corpo, o atleta necessita estar sempre atento à sua saúde. Dessa forma, a saúde bucal não pode ficar fora deste contexto, pois já foi se constatou que o rendimento de um atleta pode ser reduzido, se ele tiver algum distúrbio na sua saúde bucal. E o rendimento do atleta está intimamente relacionado com a vitória ou a derrota de uma equipe ou de uma nação, dependendo da competição.

Alexandre Ueda, coordenador do CODEC - Centro de Odontologia do Esporte do CETAO -,  cita como um fruto positivo da parceria o desenvolvimento de um protetor bucal 100% nacional que foi adotado pela Federação Japonesa de Karatê. "Esportes de contato e de alto impacto tais como, boxe, judô, karatê, jiu-jitsu, luta greco-romana, sumô, futebol, basquetebol, voleibol, handebol, mountain bike, motocross, hockey in line, patins in line exigem o uso de um protetor adequado para assegurar a melhor performance do atleta. Durante nossa última estadia no Japão, o CODEC apresentou uma sugestão de protocolo de confecção e uso deste protetor bucal para todos os atletas praticantes de karatê. Estamos aguardando a normatização do uso deste protetor bucal pela entidade que representa esta categoria esportiva", disse Alexandre Ueda, coordenador do CODEC.

Importância do protetor

Os protetores bucais protegem os dentes de fraturas ou avulsões (arrancamentos),  previnem lesões nas bochechas, língua e lábios, e auxiliam na correção de todo o sistema estomatognático. "Estudos recentes têm mostrado que o protetor bucal também auxilia na melhora da distribuição de forças e no equilíbrio do atleta durante a prática de esportes, podendo desta forma, auxiliar na melhora da performance do atleta", destaca o dentista Hilton Tiba, que também é um dos coordenadores do CETAO.

Segundo a Academia Norte-Americana de Odontologia Desportiva, o uso de protetores bucais na prática esportiva reduz em até 80% o risco de perda dentária. Nos Estados Unidos e Europa, usar equipamentos de segurança é lei em inúmeras competições esportivas. No Brasil, o uso de protetores bucais ainda é restrito a praticantes do boxe e a atletas, como Neymar, que já sofreram uma lesão grave.

Tiba explica que no mercado, existem basicamente três tipos de protetores bucais: os pré-fabricados (com tamanhos P, M e G), os termoplásticos (também pré-fabricados) e os confeccionados pelo dentista. "Os dois primeiros não têm boa adaptação à arcada dentária, muitas vezes, interferem na fala, na respiração e na tensão muscular do atleta, que morde, aperta constantemente o protetor para que ele não sair do lugar. São comuns casos de má adaptação e de má 'modelagem' destes protetores", explica o coordenador do CODEC.

"O terceiro tipo de protetor bucal é o melhor para o desempenho do atleta, pois é confeccionado após moldagem do arco dental de cada atleta. É personalizado, não interfere na respiração do usuário, o que proporciona muito conforto ao atleta", afirma Tiba. Protetores bucais como estes duram em média um ano, devem ser lavados com água corrente após o uso e armazenados em estojos próprios. Devem ser trocados nas crianças e adolescentes com certa regularidade, devido ao crescimento ósseo, e no caso de adultos, sempre que o protetor apresentar alterações, como perfurações e/ou rasgamentos.

Proteção para prática esportiva está em alta

A intensa e impactante revolução tecnológica dos dias de hoje aponta que a atuação da Odontologia do Esporte só tende a crescer, no Brasil e no mundo. "A tendência para este campo de atuação é que academias, clubes, federações esportivas e até mesmo escolas passem a solicitar o uso de protetores bucais durante a prática de esportes para fins de competição ou recreativos. Associados de academias, atletas de competição e alunos necessitam de protetores bucais na mesma intensidade. As empresas, escolas e entidades esportivas que compreenderem esta demanda social serão muito bem sucedidas. A prática da atividade esportiva requer, na mesma intensidade, que o atleta/aluno/associado de academia passe por um exame odontológico, tanto quanto por uma  avaliação física", defende Alênio Calil Mathias, diretor do CETAO.  

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