Província de Buenos Aires e capital Argentina decretam emergência por gripe suína

Província de Buenos Aires e capital Argentina decretam emergência por gripe suína

Atualizado: Quarta-feira, 1 Julho de 2009 as 12

O aumento do número de casos de gripe suína - A (H1N1) - na Argentina e do número de mortes em decorrência da doença levou as autoridades da capital, Buenos Aires, e a da Província de Buenos Aires (que não inclui a capital) a decretarem estado de emergência de saúde nesta terça-feira, dia 30. Os dois governos pediram que a população não se assuste com as medidas, classificadas de preventivas.

"Peço às crianças que fiquem em suas casas", aconselhou o prefeito da capital, Mauricio Macri, antes de pedir calma e de informar que pelo menos dois secretários de seu gabinete estão com a gripe. Ao decretar emergência de saúde, as autoridades da capital também anunciaram o adiantamento para a próxima segunda-feira do recesso escolar, que se estenderá por quatro semanas em vez das tradicionais duas.

Segundo o governador da Província, Daniel Scioli, o governo está tomando todas as medidas preventivas para atender aos infectados e o estado de emergência será de âmbito administrativo, para permitir o uso mais rápido de recursos contra a doença.

O secretário de saúde provincial, Claudio Zin, informou que o decreto terá validade a partir de meia-noite e vai permitir o recrutamento de funcionários aposentados de saúde para ajudar no esforço do governo contra a doença.

Nesta terça-feira, foram anunciadas mais duas mortes causadas pela nova gripe na Argentina, o que aumentou para 30 o número de mortes confirmadas oficialmente em consequência da infecção pelo novo tipo de vírus influenza A (H1N1). Mas o número já pode ser maior. Um hospital e em uma universidade de Buenos Aires divulgaram a existência de mais vítimas.

Além disso, as autoridades da cidade e da Província de Buenos Aires, além das províncias de Santa Cruz e Neuquén anunciaram nesta terça-feira que estenderão as férias de inverno nas escolas até o final de julho, depois que três Províncias suspenderam as aulas por causa da doença.

Apesar da declaração de emergência e da suspensão das aulas, tanto a capital quanto a Província confirmaram que não haverá fechamento de cinemas, teatros, restaurantes, shoppings e outros locais de reunião, informou o jornal "El Clarín".

"Pedimos responsabilidade e colaboração: às pessoas que tenham sintomas, nós pedimos que fiquem em casa", disse o prefeito. Ele também pediu que a população "mantenha a calma" diante do avanço do vírus e disse que os serviços de saúde dão conta da demanda causada pela doença, segundo o "Clarín". "Os hospitais estão sobrecarregados, mas não saturados", disse ele. "A cidade está dando respostas e tem tratamento suficiente para todos os pacientes", concluiu.

A secretária de Saúde da Província de Santa Fé, Débora Ferrandini, confirmou nesta terça-feira a morte de uma mulher grávida e de um homem por causa da gripe, que já infectou 1.587 pessoas no país, segundo dados oficiais, embora entidades sanitárias tenham denunciado que o número de doentes "é substancialmente maior".

A médica do Hospital Italiano de Buenos Aires Alejandra Valledor afirmou que o centro de saúde registrou a morte de três pessoas que não foram "incluídas" ainda nos números computados pelo Ministério da Saúde da Argentina.

A professora da Faculdade de Odontologia da Universidade de Buenos Aires (UBA), María Beatriz Guglielmoti, disse que uma de suas alunas que estava grávida e um aluno do mesmo curso morreram por causa da doença. Ela disse também que um funcionário da faculdade, cujas aulas foram suspensas até o dia 11 de julho para evitar a propagação do vírus, está internado em estado grave pela doença.

As autoridades da Faculdade de Medicina da cidade de La Plata informaram nesta terça-feira a suspensão por um mês de suas aulas para prevenir o avanço da doença.

O chefe de gabinete de Buenos Aires, Alberto Pérez, anunciou que as férias de inverno, que normalmente duram duas semanas, irão do dia 6 ao dia 31 de julho, na Província e cidade de Buenos Aires.

O governador da Província de Santa Cruz, Daniel Peralta, também disse que as férias de inverno foram antecipadas para a sexta-feira e durarão até o dia 31 de julho, enquanto as autoridades de Neuquén suspenderam todas as aulas até o dia 26 de julho.

"Pedimos às famílias e a todos um forte senso de responsabilidade e que as crianças não fiquem em lugares com aglomerações", pediu nesta terça-feira o ministro de Educação da Argentina, Juan Carlos Tedesco.

Responsável por combater o avanço da gripe suína, a ministra da Saúde argentina, Graciela Ocaña, renunciou ao cargo nesta segunda-feira. Alguns jornais argentinos informaram que ela divergiu do governo em relação às medidas para conter a epidemia de gripe suína, defendendo medidas mais duras que as autorizadas pela presidente Cristina Kirchner.

Brasil

No Brasil, o Ministério da Saúde confirmou na tarde desta terça-feira 55 novos casos de gripe suína, elevando para 680 o total de pessoas infectadas no país.

A maioria das confirmações ocorreu no Rio Grande do Sul, Estado cujo total de pessoas infectadas saltou de 40 para 85 em apenas um dia.

No último domingo, dia 29, o governo confirmou a primeira morte de um brasileiro no país em decorrência da gripe, registrada em Passo Fundo, município do Rio Grande do Sul.

OMS

O mais recente balanço da OMS (Organização Mundial da Saúde), divulgado nesta segunda-feira, informa que 70.893 casos de gripe suína foram registrados em 116 países e territórios. Em 311 casos, os pacientes morreram.

No último dia 12, a organização anunciou que a gripe suína atingiu o nível de pandemia (epidemia generalizada). O termo tem relação apenas com a ampla distribuição geográfica do vírus, e não com a sua periculosidade.

Os Estados Unidos continuam tendo o maior número de casos - 27.717-, e passou a ter também o maior número de mortes causadas pela doença -127.

Considerado o epicentro da doença, o México já registrou 8.279 casos de gripe suína, e 116 mortes. No Canadá, foram confirmados 7.775 casos e 21 mortes.

Sintomas

A gripe suína é uma doença respiratória causada pelo vírus influenza A, chamado de H1N1. Ele é transmitido de pessoa para pessoa e tem sintomas semelhantes aos da gripe comum, com febre superior a 38ºC, tosse, dor de cabeça intensa, dores musculares e articulações, irritação dos olhos e fluxo nasal.

Para diagnosticar a infecção, uma amostra respiratória precisa ser coletada nos quatro ou cinco primeiros dias da doença, quando a pessoa infectada espalha vírus, e examinadas em laboratório. Os antigripais Tamiflu e Relenza, já utilizados contra a gripe aviária, são eficazes contra o vírus H1N1, segundo testes laboratoriais, e parecem ter dado resultado prático, de acordo com o CDC (Centros de Controle de Doenças dos Estados Unidos).

Postado por: Felipe Pinheiro

veja também