Qual adoçante escolher?

Qual adoçante escolher?

Atualizado: Sexta-feira, 30 Setembro de 2011 as 11:37

Açúcar ou adoçante? Normalmente essa dúvida acontece entre pessoas que seguem algum tipo de dieta ou que tem restrições alimentares, e a escolha pelo melhor tipo de açúcar a ser consumido pode ser ainda mais complexa quando avaliamos sua composição e indicações de uso. A opção deve ser bem avaliada para não comprometer a saúde.

Para Nairana Borim, nutricionista do Hospital Alemão Oswaldo Cruz, primeiro é importante entender que os adoçantes dietéticos são produzidos a partir de edulcorantes, substâncias naturais ou artificiais responsáveis pelo sabor doce, e possuem poder adoçante, geralmente, muito maior que o açúcar produzido a partir da cana-de-açúcar.

A indicação de adoçantes é recomendada apenas para quem segue dietas especiais, como as de restrição alimentar para portadores de diabetes, ou para quem busca o emagrecimento. Para as pessoas que não têm estas preocupações, a nutricionista lembra que a ingestão do açúcar convencional é permitida, sendo necessário, contudo, evitar exageros.

Os tipos de açúcares mais utilizados hoje são o refinado, o light, o cristal, o orgânico e o mascavo. Os melhores para utilização são o orgânico e o mascavo, pois  não passam por processo de refinamento, mantendo assim mais vitaminas e sais minerais. O orgânico ainda tem uma vantagem sobre o mascavo por ser produzido sem aditivos químicos. Para quem precisa perder ou controlar o peso e não adapta-se ao uso de adoçantes, existe a opção do açúcar light, uma mistura de açúcar refinado com adoçantes. Contudo, este deve ser evitado por diabéticos, pois possuem sacarose em sua composição.

O uso da sacarina já é proibido no Canadá e o ciclamato, nos Estados Unidos, uma vez que pesquisas científicas realizadas em camundongos, nestes países, constataram que essas substâncias aumentam o risco de câncer. Embora não tenham sido realizadas pesquisas que comprovem esse risco para humanos, é recomendado que o consumidor restrinja a quantidade no consumo destes compostos.

Os adoçantes mais indicados atualmente são os à base de esteviosídeo e de sucralose, pois são extraídos de vegetais e frutas, portanto, naturais e sem contraindicações.

Para facilitar a informação sobre o assunto, a nutricionista lista a seguir, os principais tipos de adoçantes existentes e suas características:

Adoçante Naturais (extraídos de vegetais e frutas) e suas principais características:

Esteviosídeo  

Tem 300 vezes mais poder edulcorante em relação à sacarose (presente no açúcar).

Pode ser consumida sem nenhuma contraindicação por qualquer pessoa.

Não produz cáries, nem é calórica, tóxica, fermentável ou metabolizada pelo organismo.

Usado como adoçante de mesa, gomas de mascar, balas, bombons, bebidas, gelatinas, pudins, sorvetes e iogurtes dietéticos.

IDA (Ingestão diária aceitável): 5,5 mg/kg de peso corporal.

Sucralose  

É uma molécula modificada da sacarose.

Não deixa sabor residual, não provoca cáries e não é metabolizada pelo organismo, sendo eliminada por completo em 24 horas pela urina.

Pode ser consumida sem nenhuma contraindicação por qualquer pessoa.

Usado como adoçante de mesa e em preparações quentes.

IDA: 15 mg/kg de peso corporal.

Adoçantes Artificiais (produzidos em laboratório) e suas principais características

Sacarina

Substância derivada do petróleo.

Poder adoçante em relação à sacarose: 300 vezes.

Sabor residual amargo em concentrações altas. Redução de sabor residual pela mistura de sacarina com o ciclamato.

Submetida ao calor, não perde suas propriedades.

Não deve ser utilizada por pacientes hipertensos ou que tenham tendência a reter líquidos devido ao sódio.

IDA: 5 mg/kg de peso corporal.

Ciclamato  

Substância derivada do petróleo.

Poder adoçante em relação à sacarose: 40.

Sabor agridoce é semelhante ao açúcar refinado (apresentando um leve gosto residual).

Usado como adoçante de mesa, gomas de mascar, bebidas, congela¬dos, refrigerantes, geleias e sorvetes.

Deve ser evitado por hipertensos, já que costuma aparecer na forma sódica, ou seja, combinado com sódio.

IDA: 11 mg/kg de peso corporal.

Aspartame

É produzida a partir dos aminoácidos encontrados normalmente nos alimentos: fenilalanina e ácido aspártico.

Poder adoçante em relação à sacarose: 200 vezes

Não apresenta sabor residual amargo.

Sensível ao calor, perde o seu poder de adoçamento em altas temperaturas.

Usado como adoçante de mesa, misturas, pós, gomas de mascar, balas, sobremesas, bebidas, conge-lados, refrigerantes,  coberturas, xaropes e produtos lácteos.

É contraindicado para portadores de fenilcetonuria, uma doença genética rara que provoca o acúmulo de fenilalanina no organismo, causando retardo mental. Pelo mesmo motivo, também se desaconselha o uso por grávidas.

IDA: 40 mg/kg de peso corporal.

Acesulfame-K

Derivado do potássio.

Poder adoçante em relação à sacarose: 200 vezes.

Apresenta sabor amargo em altas concen¬trações.

Estável sob altas temperaturas.

Usado como adoçante de mesa, em gomas de mascar, bebidas, café e chás instantâneos, gelatinas, pu¬dins, produtos lácteos, panifica¬ção e sorvetes.

É eliminada em 24 horas pela urina, de forma inalterada.

IDA: 15mg/kg de peso corporal.

Dicas

Para quem utiliza o açúcar, dissolver bem o produto ao colocá-lo nas bebidas ajuda a reduzir o consumo. Observe ao terminar de consumir a bebida que foi adoçada, se existem vestígios de açúcar no fundo do copo ou jarra. Em caso positivo, isso significa que o mesmo precisava ser mais dissolvido e que você utilizou mais açúcar do que o necessário.

Vale lembrar que, se pudermos evitar adoçar as bebidas e alimentos, devemos fazê-lo: aproveitar o açúcar natural presente na fruta, por exemplo, ao consumi-la na forma de sucos ou in natura é a melhor opção. Pessoas que consomem leites com achocolatado devem evitar adoçar a bebida, pois o produto já contém açúcar em sua composição. Já quem utiliza adoçantes líquidos deve sempre contar as gotas.

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