Qualidade de vida nas grandes metrópoles

Qualidade de vida nas grandes metrópoles

Atualizado: Sexta-feira, 15 Fevereiro de 2008 as 12

Para algumas pessoas, qualidade de vida é trabalhar numa boa empresa - uma multinacional de preferência - conquistar um cargo gestor; liderar equipes; ser convidado para almoços executivos em hotéis cinco estrelas, onde os negócios estão no cardápio; um bom salário; desfrutar de bons restaurantes, espetáculos teatrais, freqüentar operas, shows internacionais em salas "bem reservadas", entre outros.

Por outro lado, para algumas outras pessoas, qualidade de vida é completamente diferente do que foi descrito acima. Trabalhar numa boa empresa, é fato; ganhar um excelente salário, também - quem não quer? Apesar de alguns abrirem mão por outros benefícios - ter horários fixos para entrar e sair, almoçar todos os dias no mesmo horário; morar perto do trabalho, como forma de evitar os grandes congestionamentos; poder chegar em casa cedo e jogar uma partida de videogame com o filho, ou trocar alguns passes de bola com ele na quadra do condomínio; estar de folga em todos os finais de semana, etc, etc.

Para outros, qualidade de vida é fugir dos grandes centros cosmopolitas buscando áreas mais periféricas ou até cidades mais próximas. Vão morar em grandes condomínios residenciais fechados onde podem oferecer a seus filhos segurança, liberdade de poder correr pelas ruas, andar de bicicleta, soltar pipas, além de toda a infraestrutura de lazer oferecida pelo empreendimento. Porém, apesar de buscar a tranqüilidade fora, não há o desvínculo dos grandes centros urbanos porque ali está sediado o seu escritório, a sede da empresa onde trabalha e também, onde os negócios acontecem. É um casamento inseparável. Ele consegue fugir temporariamente mas não consegue o desvínculo total. Diariamente ele enfrenta longos congestionamentos pelas rodovias que dão acesso à grande metrópole para ir ao trabalho e também para levar os filhos à escola. Nos grandes conglomerados condominiais ainda não foi possível a implantação de uma estrutura educacional para atender aos filhos dos moradores com boas escolas ou cursos.

Um dos objetivos pela busca da qualidade de vida é a fuga do stress. A Organização Mundial de Saúde define o stress como epidemia global. Há pouco tempo, um estudo feito pela Pontifícia Universidade Católica (PUC-SP), com 1.800 pessoas com atividades distintas, indicava um grande número de executivos com problemas de saúde. 32% dos entrevistados apresentavam sintomas de stress que mereciam atenção médica.

Implantação de academias dentro do espaço físico da empresa; adequação das horas de trabalho; ginástica coletiva; áreas de lazer utilizadas em horários intercalados ao trabalho; massagens; programas coletivos de lazer aos finais de semana para os profissionais e familiares, enfim, alternativas para colaborar com o fim do stress profissional.

Apesar disso, esses benefícios ainda são raros. Poucas são as empresas nacionais que dão importância à responsabilidade social e reconhecem a necessidade do tema para a sustentabilidade da corporação. Infelizmente, para muitos gestores, investir em qualidade de vida do funcionário é um gasto desnecessário.

Um dos grandes problemas dos centros cosmopolitas, apontados como um dos responsáveis pelo stress da população, é o trânsito. Em São Paulo, por exemplo, às vezes perde-se cerca de quatro horas em megacongestionamentos, diariamente entre a ida e a volta do trabalho. A coisa é tão feia que, até uma rádio especializada em trânsito foi criada para informar caminhos alternativos aos motoristas.

Algumas cidades estão fazendo de tudo para proporcionar qualidade de vida e evitar a fuga dos profissionais que atuam em empresas sediadas no município.

Metrópoles como Londres e Nova York, além de oferecer atividades de lazer com excelência, investiram pesado em segurança e meio de transporte. São Paulo ainda está muito longe de oferecer a mesma qualidade das duas, mas caminha pra chegar lá. No final de 2007, a Câmara Municipal da maior metrópole do país, aprovou em primeira votação, um projeto de lei que poderá tirar 50% da frota de veículos das ruas em horários de pico, através de um sistema de rodízio. É uma medida interessante para desafogar o tráfego urbano. Por outro lado, a aprovação da lei, isoladamente, pode prejudicar ainda mais o que se objetiva, a qualidade de vida. É que ainda não há um sistema de transporte público eficiente e suficiente para atender às necessidades de toda a população de forma satisfatória.

São Paulo é o mais importante centro econômico-financeiro da América Latina e a principal cidade do hemisfério sul para tomadas de decisões corporativas. Por isso é tão importante melhorar a qualidade de vida e manter a mão de obra qualificada nesta grande metrópole.

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