Quando a plástica faz mais do que modificar a aparência

Quando a plástica faz mais do que modificar a aparência

Atualizado: Quarta-feira, 27 Julho de 2011 as 11:10

O Brasil realiza mais de meio milhão de cirurgias plásticas por ano. A maioria delas é estética, com destaque para as lipoaspirações. Porém, um número significativo de pessoas ? cerca de 40% deste universo ? submete-se a esse tipo de procedimento com outra finalidade: reparar uma deformidade de nascença ou adquirida no decorrer da vida, que compromete a funcionalidade do organismo e provoca danos psicológicos.  

Segundo o cirurgião plástico Ruben Penteado, diretor do Centro de Medicina Integrada, em São Paulo, a cirurgia plástica reparadora é definida como um procedimento que devolve a função de alguma parte do corpo. Entre os procedimentos que levam à cirurgia reparadora, o médico cita queimaduras, traumatismos, tumores e defeitos de nascença.  

"São homens e mulheres que sofreram queimaduras, acidentes, infecções, tumores e seqüelas de procedimentos cirúrgicos. Cada caso é único", diz o cirurgião. Ruben afirma que é possível reconstruir a parte do corpo afetada e dissimular as deformações. No entanto, mutilações, queimaduras de terceiro grau extensas, processos infecciosos mais graves ou suturas malfeitas deixam cicatrizes importantes, em geral, difíceis de serem tratadas. Por isso, a primeira medida que se deve tomar, antes de decidir por uma cirurgia plástica, é saber do médico o que realmente ele pode fazer em cada caso.  

O especialista defende que não existem soluções mágicas ou fáceis, mas que a medicina já dispõe de recursos para trabalhar de forma bastante eficiente a reconstrução de peles, cartilagens, músculos, ossos, mucosas e nervos. "O retorno à funcionalidade e a melhora na auto-estima faz o paciente melhorar o convívio social, já que passa a se ver de forma mais adequada", garante.  

Uma questão muito discutida é o implante da prótese de silicone, aplicada em diversos tratamentos, como a reconstrução mamária após uma mastectomia (retirada parcial ou total da mama). "Hoje, toda mulher que teve o seio retirado, se desejar, tem o direito assegurado por lei de reconstituí-lo, incluindo o uso de prótese. A mama para a mulher é um órgão fundamental para a qualidade de vida", afirma Penteado.  

O aspecto psicológico é fundamental quando o assunto é a realização de uma cirurgia plástica. Vaidade, auto-estima e autovalorização são alguns dos sentimentos que estão ligados à busca por alterações físicas. "A cirurgia plástica pode ser capaz de reparar dores por danos psíquicos, como frustrações, rejeições e insatisfações. Às vezes, por causa de uma orelha de abano, uma criança pode sofrer o que chamamos de trauma estético, causado por exclusão", afirma Ruben Penteado.  

Por causa disso, o médico explica que o limite entre o estético e o reparador é pequeno em alguns casos. "O conceito de saúde não é só ausência de doença, mas também o bem-estar físico, psicológico e social. É preciso evitar exageros na estética e haver bom senso", alerta o especialista.  

O cirurgião faz outra ressalva. "A medicina não é uma ciência exata, é impossível afirmar com precisão como o organismo vai reagir a uma operação. Um bom especialista conversa muito com o paciente, não faz promessas e procura analisar a situação, não só do ponto de vista físico, mas também psicológico", finaliza Ruben Penteado.

*Imagem ilustrativa.  

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